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O atalho para o petróleo venezuelano passa por Washington… e por Flávio Bolsonaro

Petróleo venezuelano, bandeiras EUA e Brasil, silhuetas de Flávio Bolsonaro e Trump, negociações políticas
Acesso às reservas venezuelanas depende de aval dos EUA e pode ser influenciado por aliança Bolsonaro-Trump em 2026.

Empresários brasileiros que miram as maiores reservas de petróleo do mundo esbarram em uma exigência inegociável: o aval do Departamento de Estado dos EUA. A chave para destravar esse acesso, segundo fontes ouvidas sob reserva, pode estar na corrida presidencial de 2026.

A proximidade da família Bolsonaro com Donald Trump transforma uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro (PL) em um ativo estratégico para o setor. Mas, enquanto a eleição não chega, a regra do jogo é clara: sem o “ok” de Marco Rubio, não há contrato assinado em Caracas.

O novo dono da chave: o “ok” de Rubio

Desde janeiro, a Venezuela vive um processo de reabertura econômica sob tutela americana. A equipe do encarregado de negócios John Barrett opera literalmente dentro do edifício da PDVSA, a estatal petrolífera.

Isso significa que qualquer projeto — seja exploração, gás ou infraestrutura — precisa passar pelo crivo de Washington. A ministra do Petróleo venezuelana, Paula Henao, gerencia a operação, mas a palavra final pertence à diplomacia de Trump.

Três brasileiras já dentro do jogo

Apesar das barreiras, três grupos nacionais já garantiram posição no tabuleiro nos últimos anos:

  • Holding Alvorada: explorando três campos na faixa do Orinoco desde 2023; anunciou expansão em abril.
  • Globe (J&F/Batistas): comprou quase 50% da Petrororaima (joint venture com a PDVSA) via subsidiária Fluxos em 2024.
  • Eneva (BTG Pactual): assinou memorando com a Halliburton para prospectar áreas; aguarda liberação de blocos.

Procuradas, Globe e Eneva não quiseram comentar o impacto político. A Alvorada admitiu: uma mudança de governo no Brasil tende a aproximar o país da agenda americana para a região.

Por que o governo Lula tem pouca barganha

A diplomacia petista afastou-se de Caracas ao não reconhecer a vitória de Nicolás Maduro em 2024 sem apresentação de provas. Paralelamente, a relação com a gestão Trump é fria.

Na prática, quem aprova ou veta projetos em solo venezuelano hoje é a Casa Branca. Empresários relatam que a melhor estratégia atual é fechar parcerias com contrapartes americanas para suavizar o crivo de Rubio — o chamado “escudo corporativo”.

A limpeza dos contratos: só entra “amigo de Washington”

Está em curso uma revisão geral dos Contratos de Participação Produtiva (CPPs) firmados nos últimos dois anos. O objetivo declarado é expulsar da lista operadores ligados ao regime pré-intervenção, agentes de Cuba e Irã ou nomes que causem “ojeriza” aos EUA.

A produção atual gira em torno de 1,2 milhão de barris/dia — longe dos 3 milhões das décadas de 70 ou dos 2 milhões pré-crise de 2017. A exploração é majoritariamente onshore (terra firme), onde o retorno é mais rápido e as reservas estão concentradas.

Além do petróleo: a aposta na infraestrutura

O interesse não para no óleo e gás. O grupo Lide, de João Doria, inaugurou unidade em Caracas sob comando de Tomas Alejandro Guzman. Ele relata procura crescente de setores orbitais:

  • Construção civil e logística;
  • Formação de mão de obra especializada;
  • Reativação agrícola e pistas aéreas;
  • Serviços de relocation para expatriação de executivos.

Uma refinaria do Norte do Brasil já teria sondado o Lide para entrar no mercado vizinho.

O que observar daqui para frente

O cenário político venezuelano segue em transição lenta. Novos juízes para o Supremo estão sendo eleitos e centenas de presos políticos foram soltos. Nos bastidores, fala-se em eleições presidenciais para o final de 2028, embora Trump e Delcy Rodríguez afirmem que o país “ainda não está pronto”.

Para o investidor brasileiro, a equação permanece: risco geopolítico alto, reserva geológica única e uma porta de entrada que, hoje, só se abre com a chave de Washington. A variável Flávio Bolsonaro/2026 é o único fator capaz de alterar esse xadrez a favor do Brasil no curto prazo.