A Casas Bahia confirmou Camille Faria como nova líder das negociações de sua recuperação judicial, dois dias após a Justiça paulista homologar o processo. A executiva substitui Mateus Tessler e chega com a missão de costurar um acordo junto a credores de uma dívida declarada de R$ 17,3 bilhões.
A nomeação sinaliza uma guinada na estratégia de diálogo com o mercado. Faria carrega no currículo a reestruturação de duas gigantes que enfrentaram crises semelhantes: Oi e Americanas.
O perfil que a varejista buscava
Formada em engenharia química pela PUC-Rio, Camille Faria construiu carreira em finanças corporativas e bancos de investimento. Passou por Morgan Stanley, Bradesco BBI, Tim e Embratel antes de assumir a diretoria financeira da Oi durante seu processo de recuperação.
Na Americanas, ocupou a cadeira de CFO e também comandou a área de relações com investidores. Deixou a varejista em setembro de 2024, meses após o escândalo contábil estourar, para fundar a Althia Partners — consultoria especializada em reestruturação operacional e financeira.
O que muda na prática
A varejista afirmou que a troca não altera a estratégia de reestruturação e conta com aval do Conselho de Administração e da Mapa Capital, acionista controladora. Faria atuará em parceria com a consultoria Alvarez & Marsal, já envolvida no processo desde o início.
Seu mandato, segundo a própria executiva, é “avançar na construção de um plano de recuperação sustentável, viável e equilibrado”. A frase aponta para negociações duras com credores nos próximos meses.
Os números por trás da urgência
- Dívida total declarada: R$ 17,3 bilhões
- Pedido de recuperação: 17 de agosto de 2024
- Homologação judicial: 21 de agosto de 2024
- Empresas na ação: 10 (incluem Casas Bahia, Ponto Frio, Extra.com, Bartira, logística e tecnologia)
- Prazo para complementação documental: 30 dias a partir da decisão
A juíza Taina Maria Leonardo De Oliveira reconheceu o preenchimento dos requisitos legais, mas apontou pendências documentais que precisam ser sanadas em até um mês. O relógio corre.
O tabuleiro de credores
Com marcas como Casas Bahia, Ponto Frio e o e-commerce Extra.com sob o mesmo guarda-chuva, a negociação envolve fornecedores, bancos, detentores de debêntures e parceiros logísticos. A fabricante de móveis Bartira e as subsidiárias de tecnologia também entram no pacote, o que amplia a complexidade do plano a ser apresentado.
A experiência de Faria em reestruturações de telecom e varejo será testada em um cenário onde a confiança do mercado ainda está em reconstrução.
O que observar daqui para frente
Os próximos 30 dias são críticos: a empresa precisa entregar a documentação complementar exigida pela Justiça. Paralelamente, a nova líder deve iniciar as rodadas de conversa com os principais credores para desenhar os contornos do plano de recuperação — que precisará de aprovação em assembleia geral.
Dois indicadores dirão se a troca no comando surtiu efeito: a adesão dos grandes bancos ao plano e a manutenção da operação das lojas sem interrupções relevantes. O mercado acompanha de perto.
