Internacional

O segredo para investir no petróleo venezuelano: o “ok” de Rubio e a conexão Trump

Petróleo venezuelano e bandeiras EUA-Brasil: investimento depende de aprovação de Marco Rubio
Reservas da Venezuela atraem grupos brasileiros, mas licenças dependem de aval político dos EUA

O Departamento de Estado dos EUA passou a ditar quem entra no setor energético da Venezuela, dono de 20% das reservas mundiais de petróleo. Para empresários brasileiros, a chave mestra não está em Brasília — mas na proximidade com a equipe de Marco Rubio.

Três grandes grupos já operam no país: a holding Alvorada, a Globe (dos irmãos Batista) e a Eneva (controlada pelo BTG Pactual). Outras aguardam sinal verde. A diferença entre conseguir ou não a licença pode depender de quem ocupa o Planalto em 2027.

Por que Washington virou o porteiro de Caracas

Desde janeiro, a Venezuela reabriu a economia e flexibilizou leis petrolíferas sob tutela americana. O encarregado de negócios dos EUA, John Barrett, despacha literalmente dentro do edifício da PDVSA. A ministra Paula Henao coordena o novo marco regulatório ao lado da equipe de Rubio.

O resultado prático: qualquer contrato de participação produtiva (CPP) passa por uma “limpeza” para retirar sócios ligados ao antigo regime, a Cuba, ao Irã ou a nomes que causem “ojeriza” aos americanos. Ser amigo de Washington virou pré-requisito contratual.

Os números que explicam a corrida

  • Produção atual: 1,2 milhão de barris/dia (era 3 milhões nos anos 70 e 2 milhões até 2017)
  • Exploração majoritariamente onshore: retorno mais rápido e reservas concentradas em terra
  • Concessão americana: 100 anos sobre 17 campos em parceria com Alejandro Betancourt
  • Três brasileiras já dentro: Alvorada (Orinoco desde 2023), Globe (49% da Petrororaima), Eneva (MOU com Halliburton aguardando áreas)

Empresas que planejam entrar adotam a mesma estratégia: fechar parceria com contraparte americana para suavizar o crivo da Casa Branca.

O fator Flávio Bolsonaro na equação

Executivos e consultores ouvidos sob reserva afirmam que uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) aceleraria autorizações para brasileiros. O motivo: a proximidade da família Bolsonaro com Donald Trump daria ao Brasil poder de barganha que o governo Lula não tem hoje.

Não é teoria. A Alvorada, em nota, admitiu que “uma mudança [de governo] tende a aproximar o Brasil da agenda americana para a região”. A diplomacia petista perdeu tração após não reconhecer a reeleição de Maduro em 2024 e manter distância da gestão Trump.

Além do petróleo: a infraestrutura que ninguém comenta

O venezuelano Tomas Alejandro Guzman, à frente do Lide em Caracas, mapeia setores que orbitam a expansão petrolífera e já atraem interesse brasileiro:

  • Construção civil e reativação de pistas aéreas
  • Formação de profissionais e serviços de relocation para expatriados
  • Impulsionamento agrícola para abastecer novas frentes de trabalho

Uma refinaria do Norte do Brasil já procurou o Lide para prospectar oportunidades. O petróleo é a “pérola”, mas a cadeia ao redor pode mover volumes maiores de capital e mão de obra.

Cenário político: transição lenta, regras novas

Sob supervisão americana, chavistas e oposição (representada por Dinorah Figuera) dialogam. Centenas de presos políticos foram soltos, novos juízes do Supremo estão sendo eleitos. Eleições presidenciais são cogitadas para fim de 2028, embora Trump e Delcy Rodríguez digam que o país “ainda não está pronto”.

Enquanto isso, a revisão dos CPPs segue a todo vapor. Quem não se alinhar ao novo critério — leia-se: aprovação prévia de Washington — sai do jogo.

O que observar daqui para frente

Três variáveis definirão o acesso brasileiro nos próximos 18 meses: a definição da chapa presidencial de 2026, a velocidade da revisão contratual na PDVSA e a disposição de empresas americanas em fazer joint ventures com grupos nacionais. Quem já tem pé no país (Alvorada, Globe, Eneva) carrega vantagem de primeiro movimento — mas a janela para novos entrantes permanece aberta, condicionada ao “ok do Rubio”.