A maioria dos gestores de patrimônio ouvidos pela coluna mantém a preferência pela candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) em detrimento da reeleição de Lula (PT), mesmo diante de propostas recentes que geraram ruído na Faria Lima. A contradição aparente esconde um cálculo de risco que poucos comentam abertamente.
A promessa que fez a Faria Lima torcer o nariz
No debate da Band realizado no domingo (18), o senador propôs congelar dívidas de pessoas físicas por seis meses e de empresas por um ano, sem detalhar a operacionalização. Duas semanas antes, a solução apresentada era outra: compra das dívidas pelo governo e suspensão das parcelas.
As duas versões surgem em meio a um cenário de endividamento recorde das famílias brasileiras, o que explica o apelo eleitoral da medida. Do ponto de vista estritamente fiscal, no entanto, o impacto seria severo.
Por que os gestores dormem tranquilos (por enquanto)
A leitura predominante nos escritórios de investimento é de ceticismo prático:
- Promessa de palanque: a avaliação é de que a proposta não sairá do papel, servindo apenas para capturar o voto do endividado.
- Comparativo de danos: mesmo que implementada, a irresponsabilidade fiscal do governo atual — com gastos elevados em ano eleitoral — é vista como um mal maior e já concretizado.
- Ausência de sinalização contrária: Lula não apresentou, até aqui, nenhuma indicação clara de mudança de rota na política econômica.
O foco real dos grandes investidores
Para uma parcela relevante do mercado, o debate sobre propostas de campanha é ruído. A variável decisiva será a composição da equipe econômica e a capacidade técnica dos nomes indicados para ancorar a trajetória da dívida pública. É aí que a aposta se separa da torcida.
O termômetro das urnas na B3
O comportamento dos ativos confirma a preferência. Logo após o primeiro turno, quando Flávio apareceu numericamente à frente, o Ibovespa disparou e os juros futuros fecharam. Com as pesquisas recentes apontando empate técnico, a volatilidade voltou a ditar o ritmo: dias de queda se alternam com recuperações parciais, sem tendência definida.
O que observar daqui para frente
Três sinais devem orientar o posicionamento nas próximas semanas: anúncios de futuros ministros da Fazenda e Planejamento, eventuais detalhes sobre como o congelamento seria financiado (se o tema voltar à pauta) e a evolução dos cenários de segundo turno nas pesquisas quantitativas. O mercado já precificou a incerteza; o prêmio virá para quem antecipar a transição do discurso para a execução.
