Justiça

TSE pode silenciar canais políticos no WhatsApp às vésperas do 2º turno

Tribunal Superior Eleitoral avalia bloquear canais políticos no WhatsApp antes do segundo turno
TSE pode restringir canais com mais de 200 mil seguidores nas 48h anteriores e 24h após a votação.

O Tribunal Superior Eleitoral avalia desligar canais de transmissão com mais de 200 mil seguidores nas 48 horas que antecedem e nas 24 horas posteriores ao segundo turno, marcado para domingo (25). A minuta, redigida pelo vice-presidente da Corte, André Mendonça, equipara esses canais ao conteúdo impulsionado pago — já sujeito a restrições no período. Se aprovada em plenário, a regra vale imediatamente.

O que muda na prática para os maiores canais

Dois alvos diretos já ultrapassam o teto estabelecido. O “Exército do Lula” atingiu 7 milhões de inscritos nesta quarta-feira (21). A “Tropa do Flávio” soma 2 milhões. Ambos seriam silenciados na janela crítica, impedindo novos disparos em massa quando não haveria tempo para checagem, resposta ou tutela judicial efetiva.

A justificativa técnica aponta “alcance desproporcional na difusão de conteúdos ilícitos” e risco de “dano irreversível à formação livre da vontade do eleitorado”. O texto argumenta que, nesse intervalo, a velocidade da viralização supera a capacidade de correção das instituições.

Critérios objetivos e alcance da medida

  • Limiar: 200 mil seguidores no WhatsApp
  • Natureza: canais de teor político-eleitoral
  • Janela: 48h antes + 24h depois do pleito
  • Equiparação: mesmas regras do impulsionamento pago
  • Validade: imediata, se aprovada pelo plenário

A nota do gabinete de Mendonça reforça que os critérios são “objetivos e impessoais”, aplicáveis a qualquer candidatura, partido ou orientação. A autoria da minuta coube ao vice-presidente por tradição regimental, não por iniciativa pessoal.

O precedente que acelerou a discussão

A proposta ganhou tração após a disputa judicial em torno do “Exército do Lula”. Na semana passada, o presidente do TSE, Kássio Nunes Marques, suspendeu o canal a pedido da campanha de Flávio Bolsonaro, alegando desinformação. O corregedor Ricardo Villas Bôas Cueva restabeleceu-o, sustentando não haver elementos para a medida e que a via administrativa era inadequada, pois o caso já tramitava judicialmente sob sua relatoria.

Nunes Marques voltou a derrubar o canal, argumentando vínculo com a campanha oficial via o deputado André Janones (Rede-MG), o que exigiria registro no TSE. O impasse só terminou após o registro formal pela campanha, liberando o canal novamente. O episódio expôs a lacuna regulatória que a minuta busca fechar.

O que observar daqui para frente

A votação em plenário não tem data marcada, mas a urgência do calendário — o segundo turno ocorre em quatro dias — pressiona por deliberação rápida. Se aprovada, a regra cria precedente para futuras eleições e pode inspirar legislação sobre canais de transmissão em outras plataformas. Para campanhas e estrategistas, o sinal é claro: a janela de silêncio pode se tornar padrão, exigindo planejamento de comunicação que não dependa exclusivamente de disparos de última hora.