Economia

MEI: perdão de dívidas, teto a R$ 140 mil e Pix de R$ 5 mil — o que vale já e o que espera 2027

Presidente Lula sanciona Lei Prospera MEI: perdão de dívidas e novo teto de faturamento para microempreendedores
Lula assina lei que perdoa dívidas de 3,6 milhões de MEIs e eleva teto para R$ 140 mil até 2028.

O presidente Lula sancionou nesta quarta-feira (21) a Lei Complementar 238/2026, batizada de Prospera MEI, que perdoa dívidas tributárias de cerca de 3,6 milhões de microempreendedores e reescalona o limite de faturamento para R$ 110 mil no ano que vem e R$ 140 mil em 2028. Mas nem tudo entra em vigor agora — e há condições que podem fazer o benefício voltar atrás.

Além da anistia, o pacote libera contratação de até dois funcionários, dispensa nota fiscal em vendas para pessoa física e abre caminho para leilões de dívidas bancárias com descontos de 90%. Abaixo, o que muda na prática, o que exige atenção imediata e o que ainda depende de regulamentação.

O perdão que tem data para acabar se você piscar

A remissão abrange débitos federais constituídos até 13 de outubro de 2026 — contribuições previdenciárias, multas, juros e encargos. O governo estima alcançar 3,6 milhões de CNPJs. Porém, o perdão só se consolida se o MEI mantiver em dia o pagamento do DAS durante os primeiros seis meses de 2027. Um único atraso nessa janela pode reativar a dívida perdoada.

Não há devolução de valores já quitados. Quem tem ações judiciais sobre esses débitos precisa observar as regras específicas da lei para não perder o benefício.

Faturamento: a escada que evita o salto para o Simples

O teto atual de R$ 81 mil anuais sobe em dois degraus, dando fôlego para crescer sem mudar de regime tributário de imediato:

  • Até 31/12/2026: R$ 81 mil
  • 1º/01/2027 a 31/12/2027: R$ 110 mil
  • A partir de 1º/01/2028: R$ 140 mil

Os demais requisitos para ser MEI — atividade permitida, um único estabelecimento, não ser sócio de outra empresa — continuam valendo. Ultrapassar o novo teto ainda exige migração para microempresa.

Dois funcionários, mas não para todo mundo

A lei amplia de um para dois o limite de empregados, com salário mínimo ou piso da categoria. A contratação, porém, só vale para atividades contempladas na regulamentação — não é autorização geral. O empreendedor deve confirmar se seu CNAE está na lista antes de assinar a carteira.

Nota fiscal: o que caiu e o que continua obrigatório

O decreto assinado junto com a lei dispensa a emissão de nota fiscal nas vendas de produtos e serviços para pessoas físicas. A regra vale também para os futuros nanoempreendedores (faturamento até R$ 40,5 mil), que nem CNPJ precisarão ter.

Atenção: a dispensa não se estende a vendas para empresas nem órgãos públicos. Nessas operações, a nota fiscal segue obrigatória conforme a legislação estadual e municipal.

Dívidas com bancos: leilão a partir de novembro

Paralelo ao perdão tributário, o governo prevê leilões de dívidas bancárias a partir de novembro, no modelo Desenrola 3.0. Bancos privados ofertarão descontos mínimos de 90% sobre o saldo devedor. A meta é atingir 1,6 milhão de MEIs inadimplentes.

Essa renegociação é separada do perdão com a União e depende de adesão das instituições financeiras. Quem tem dívida só com a Receita não entra nesse lote; quem deve só a banco não entra no perdão tributário.

Pix MEI: até R$ 5 mil, mas não é para amanhã

O programa prevê repasses de até R$ 5 mil entre 2027 e 2030 para investimento em bens produtivos — máquinas, equipamentos, reformas. Prioridade para mulheres e MEIs com faturamento até R$ 40,5 mil (os nanoempreendedores). O recurso vem com acompanhamento do Sebrae.

Não há saque imediato. O acesso dependerá de regulamentação, abertura de editais e cadastro em plataformas oficiais. Quem promete “Pix na hora” está antecipando o que ainda não existe.

Compras públicas: porta aberta, mas edital manda

A lei amplia a participação de MEIs em contratações governamentais, inclusive via Contrata+Brasil. Os limites financeiros e regras de habilitação variam por modalidade (pregão, dispensa, inexigibilidade). Leia o edital antes de propor — o que vale para um município pode não valer para a União.

Cronologia prática: o que vigora quando

  • 21/10/2026: sanção da lei e decreto da nota fiscal
  • Novembro/2026: início dos leilões de dívidas bancárias
  • 1º/01/2027: perdão tributário entra em vigor; teto sobe para R$ 110 mil; começa janela de 6 meses de DAS em dia
  • 1º/01/2028: teto sobe para R$ 140 mil
  • 2027 a 2030: janela do Pix MEI, conforme implementação

O que observar daqui para frente

A regulamentação da Receita Federal e do Ministério do Empreendedorismo definirá os procedimentos operacionais — como declarar a adesão ao perdão, como acessar os leilões bancários e como funcionará o cadastro do Pix MEI. Acompanhe os canais oficiais do Sebrae e do gov.br. Mantenha o DAS em dia a partir de janeiro; é a condição sine qua non para não ver a dívida perdoada ressuscitar no seu CPF.