Uma reportagem exibida no Repórter Mirante garantiu ao Maranhão uma das cinco vagas na final nacional do 13º Prêmio Sebrae de Jornalismo, categoria Vídeo. O trabalho do jornalista Marcelo Moreira superou 1.310 inscrições em todo o país e agora representa o Nordeste na disputa pelo título, com cerimônia marcada para 26 de novembro em Brasília.
Mas o reconhecimento vai além da premiação: a produção colocou em evidência nacional uma cadeia produtiva que move a economia de dezenas de municípios maranhenses.
Da quebradeira ao palco nacional
Gravada em Coroatá, a reportagem acompanha o dia a dia das quebradeiras de coco babaçu — mulheres que sustentam famílias inteiras a partir do aproveitamento integral da palmeira nativa. O material mostra como o conhecimento tradicional se converte em renda, com produção de óleo, farinha, carvão, artesanato e até cosméticos.
A equipe da TV Mirante venceu primeiro a etapa estadual, depois a regional, que reuniu os campeões dos nove estados nordestinos. Na final, o Maranhão enfrentará produções de Santa Catarina, Roraima, Distrito Federal e São Paulo.
Números que dimensionam a conquista
- 1.310 trabalhos inscritos na categoria Vídeo em todo o Brasil
- 5 finalistas nacionais — um por região
- 197 inscrições do Maranhão no prêmio (recorde estadual)
- Liderança nas regiões Norte e Nordeste; top 5 nacional em volume de participações
Segundo João Torres, gerente de Comunicação do Sebrae Maranhão, o resultado prova que o jornalismo local consegue transformar pautas regionais em debates de relevância nacional.
O que está em jogo para as comunidades
A reportagem não se limita a registrar a rotina das quebradeiras. Ela expõe a fragilidade de uma atividade que depende de acesso a terra, políticas de crédito rural, assistência técnica e reconhecimento legal do modo de vida tradicional.
Marcelo Moreira afirma que o objetivo central foi pressionar por políticas públicas que valorizem essas populações. “A gente consegue olhar pra uma riqueza nossa e falar por um ponto de vista de exploração sustentável”, resume o jornalista.
Critérios da avaliação final
O júri nacional analisará cinco eixos: relevância e interesse público, qualidade da narrativa, originalidade, diversidade de fontes e, no caso de vídeo, qualidade técnica de imagem e edição. A decisão será anunciada na cerimônia de 26 de novembro, às 19h.
Independentemente do resultado, a visibilidade já gerou efeito prático: gestores municipais e estaduais passaram a procurar as associações de quebradeiras para discutir linhas de fomento.
O que observar nas próximas semanas
A premiação tende a ampliar o debate sobre a Lei do Babaçu Livre — norma estadual que garante acesso das quebradeiras aos babaçuais, mas cuja aplicação enfrenta resistência em áreas de expansão do agronegócio. Acompanhar como o poder público responderá à exposição nacional pode indicar se a visibilidade se traduzirá em recursos e segurança jurídica para as comunidades.
