Cultura

Artesanato no MS: 100 expositores e uma rodada de negócios que ninguém comentou

Artesãos expõem produtos no Centro de Eventos João Leme em Bataguassu MS
Encontro Regional de Artesanato reúne 100 expositores e rodada de negócios em Bataguassu

Cerca de 100 artesãos ocupam o Centro de Eventos João Leme nesta quinta-feira (22) em Bataguassu, mas a entrada gratuita esconde um movimento estratégico: uma sessão de negócios desenhada para profissionalizar a cadeia produtiva da Costa Leste. A iniciativa da MS Florestal vai muito além da vitrine.

O evento em números: logística e escala

O Encontro Regional de Artesanato acontece das 9h às 16h (horário de Brasília), na Rua Ponta Porã, 173. A programação oficial prevê três momentos-chave: um talk show às 9h, palestra magna às 11h e, o ponto focal para investidores, a sessão de negócios a partir das 14h. O tema “Mãos que conectam, arte que gera oportunidades” sinaliza a intenção de transformar produção artesanal em ativo econômico.

Por que a sessão das 14h é o diferencial

Diferente de feiras comuns, o bloco da tarde propõe conexão direta entre produtores e canais de venda. A presença de Marco Aurélio Pulcherio (Marco 500), referência nacional com 30 anos de atuação em design e artesanato, eleva o nível técnico da curadoria. Não é apenas exposição; é validação de mercado.

Para o empresário local, a chance de mapear fornecedores já capacitados reduz o custo de aquisição de produto diferenciado. Para o investidor, sinaliza maturidade de um setor historicamente informal.

Da renda extra à fonte principal: o caso Elaine

Elaine Cristina Guarnieri Martins, presidente da Associação dos Artesãos da Nova Porto XV, ilustra a transição em curso. Há dez anos, retomou o crochê como hobby; hoje, lidera um grupo onde 25 profissionais dependem exclusivamente do artesanato.

A virada veio com um desafio técnico: reproduzir a fauna do Pantanal sob orientação do designer Renato Imbroisi. O resultado? Peças com maior valor agregado e identidade territorial forte. Ainda assim, Elaine admite: a renda é complementar, mas a meta é torná-la principal.

Os três gargalos que travam a escalada

O relato da associação expõe dores reais de quem tenta profissionalizar:

  • Divulgação: alcance limitado fora do circuito local.
  • Precificação: dificuldade em calcular custo/hora + margem justa.
  • Comercialização: dependência de feiras presenciais e ausência de canais digitais estruturados.

Esses pontos explicam por que a parceria com Sebrae/MS e MS Florestal foca em capacitação contínua, não só em evento pontual.

Arquitetura de apoio: quem banca a profissionalização

A MS Florestal atua como articuladora, mas o ecossistema envolve Bracell Social, Fundação de Cultura de MS, Associação Integra Costa Leste e Prefeitura de Bataguassu. Essa governança compartilhada reduz risco de descontinuidade — ponto crítico para quem avalia investimento social ou entrada em cadeias de fornecimento.

A entrada gratuita democratiza o acesso, mas a métrica de sucesso será a conversão da sessão de negócios em contratos de fornecimento ou pedidos recorrentes.

Programação direta para quem tem agenda apertada

  • 09h00 – Talk show de abertura
  • 11h00 – Palestra magna com foco em design e mercado
  • 14h00 – Sessão de negócios (networking estruturado)
  • 16h00 – Encerramento

O que observar daqui para frente

Acompanhe a taxa de formalização dos 100 expositores nos próximos 12 meses. Se a capacitação do Sebrae surtir efeito, veremos migração de MEI para microempresa e, principalmente, diversificação de canais de venda (e-commerce, marketplaces, corporate gifts). A sessão de negócios desta quinta é o termômetro: compareça ou monitore os desdobramentos para avaliar se a Costa Leste consolida seu polo artesanal como alternativa real de suprimento criativo.