Nas eleições municipais de 2024, cerca de 35 toneladas de material gráfico deixaram de ir para aterros sanitários nas regiões de Sorocaba e Jundiaí. O volume equivale ao peso de 25 carros populares e movimentou uma cadeia de reciclagem que poucos conhecem. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) mapeou 83 pontos de coleta, mas a logística real revela muito mais do que obrigação legal.
O mapa dos 83 pontos: onde a logística acontece
A lista oficial divide-se entre cooperativas, empresas privadas e ecopontos municipais. Em Sorocaba, cinco endereços concentram o fluxo. A DS Ambiental destaca-se pelo volume: recebeu aproximadamente cinco toneladas apenas neste ciclo. A operação inclui prensagem, venda para a indústria e emissão de certificado de destinação — documento essencial para a prestação de contas partidária.
Já a Cooperativa de Reciclagem de Sorocaba (Coreso) e a COPERESO operam com foco em papelão, papel, vidro e plásticos rígidos. Ambas não aceitam madeira, lonas ou tecidos. O Ecoponto Vila Helena completa a rede pública local, preparado para metais e plásticos, embora ainda não tenha registrado entrada de campanha.
Jundiaí: volume pulverizado e logística sob demanda
O cenário em Jundiaí difere pela capilaridade. Dez endereços estão ativos, incluindo a Junpapel, que recebeu apenas três caixas até o momento. A representante comercial Silvana Marcondes confirma: para grandes volumes, a cooperativa faz a retirada; para quantidades pequenas, o gerador deve entregar.
- Geresol e Guaraú Comércio atuam como centrais de tratamento e comércio de resíduos.
- Sete ecopontos municipais (Jardim do Lago, Cidade Nova, Morada das Vinhas, Jardim Tarumã, Residencial Jundiaí, Vila Nambi, Jardim Tamoio) pulverizam o acesso para candidatos e partidos.
O que entra e o que fica de fora: a triagem que define o lucro
A reciclabilidade dita a viabilidade econômica. São aceitos: panfletos, santinhos, folders, cartazes, banners de lona plástica, placas metálicas, cartões de visita e cartilhas. O material segue para prensagem e retorna à indústria como matéria-prima.
Ficam de fora — e geram custo de destinação alternativa — tecidos (poliéster, TNT), adesivos, fitas adesivas, papéis sujos ou contaminados, cavaletes de madeira e lonas pesadas. A regra é simples: se não vira celulose ou plástico moído, não entra na esteira.
O prazo que aperta partidos e a conta final
Até 30 de novembro, legendas e candidaturas devem reportar ao TRE-SP a quantidade encaminhada para destinação correta. O descumprimento pode gerar sanções na prestação de contas. Em 2022, o volume total chegou a 45 toneladas; a queda para 35 toneladas em 2024 sinaliza redução de material impresso ou migração para mídia digital, mas mantém a reciclagem como única saída ambientalmente segura para o excedente físico.
O que observar daqui para frente
A tendência aponta para profissionalização da logística reversa eleitoral. Empresas como a DS Ambiental mostram que há modelo de negócio escalável: coleta, certificação e venda de aparas. Para gestores públicos e investidores, o sinal é claro: a infraestrutura de ecopontos e cooperativas precisa de previsibilidade de demanda para justificar expansão. A próxima eleição testará se a rede de 83 pontos consegue absorver picos de volume sem gargalos — e se a renda gerada nas cooperativas se consolida como política pública permanente.
