Economia

O segredo da renda no campo: como uma cooperativa transformou 2,3 mil vidas no Paraná

Agricultor Mauro Erdmann em horta orgânica na cooperativa Cresol Verê Paraná
Mauro Erdmann exibe produção orgânica apoiada pela Cresol em Verê (PR).

Uma cooperativa de crédito no interior do Paraná provou que assistência técnica e finanças caminham juntas — e o resultado aparece no bolso de quem produz. Em Verê, a Cresol completa 27 anos de atuação com 2.360 cooperados e projetos que vão da horta orgânica à educação financeira infantil. O modelo chama atenção pela simplicidade: juntar dinheiro, conhecimento e mercado no mesmo balcão.

O caso mais emblemático tem nome e sobrenome. Mauro Sergio Erdmann trocou a lavoura convencional de soja, milho e leite por mais de dez variedades de hortaliças orgânicas em área reduzida. A virada veio com o programa Empreendedorismo Rural, que oferece acompanhamento técnico contínuo — no caso dele, do engenheiro agrônomo Odéssio — e acesso a crédito ajustado ao ciclo da produção. “O retorno econômico e a estabilidade financeira vieram com baixo custo inicial”, resume o produtor.

Da terra para a escola: o ciclo que fecha na comunidade

O impacto não para na porteira. A mesma agência mantém dois projetos educacionais que atendem 225 crianças da rede municipal: “Um Olhar para o Futuro” e “Mesadinha e sua Turma”. A proposta é levar noções de cidadania e finanças para a sala de aula, criando uma geração que entende o valor do dinheiro antes de precisar dele. Enquanto o pai diversifica a lavoura, o filho aprende a poupar.

Essa dupla frente — campo e escola — gera um efeito multiplicador. O recurso que entra na propriedade circula no comércio local, paga fornecedores da região e financia a expansão de novos empreendimentos rurais. O gerente Gilvani Somariva resume a lógica: “Estar presente há quase três décadas é ver o crescimento da cooperativa caminhando lado a lado com o desenvolvimento das famílias”.

O que sustenta o modelo de alta rentabilidade por metro quadrado

  • Acompanhamento técnico permanente: o produtor não fica sozinho na transição de modelo produtivo.
  • Crédito casados ao ciclo da cultura: prazos e valores respeitam a sazonalidade da horticultura.
  • Mapeamento de mercado: a cooperativa identifica a demanda antes de o agricultor plantar.
  • Tecnologia acessível: insumos biológicos, estufas e energia solar entram no planejamento financeiro.

No caso de Erdmann, o próximo passo já está desenhado: instalar estufas e painéis solares para atender a demanda crescente mapeada pela própria Cresol. A transição dele ilustra o que a cooperativa chama de “ciclo sustentável” — mais renda no campo, mais dinheiro girando na cidade, mais gente atraída para o modelo.

O que observar daqui para frente

Com 31 anos de história, 1,2 milhão de cooperados e 1.060 agências no país, a Cresol testa em Verê uma receita que pode escalar: unir assessoria agronômica, educação financeira de base e crédito personalizado. Para o empresário ou investidor que acompanha o agronegócio, o sinal é claro — modelos que reduzem risco técnico e financeiro ao mesmo tempo tendem a ganhar tração nos próximos ciclos de safra. O termômetro está na adesão de novos produtores ao programa de orgânicos e na expansão da carteira de crédito rural direcionado. Quem souber ler esse movimento antecipa onde o capital vai render mais nos próximos anos.