A Leapmotor, marca chinesa sob o guarda-chuva da Stellantis, confirmará no primeiro trimestre de 2027 o lançamento simultâneo de dois modelos inéditos no Brasil: o hatch A05 e o SUV A10. A movimentação coloca a fabricante em rota de colisão direta com os líderes de vendas BYD Dolphin e Yuan Pro, mas com uma diferença estratégica: pacote tecnológico completo já nas versões de entrada.
A informação, apurada junto a fontes do setor, revela que a marca não fará distinção de equipamentos entre as configurações mais baratas e as topo de linha — a diferença ficará restrita à capacidade da bateria e à potência do motor. Para o empresário que acompanha o custo de frota ou o investidor atento à participação de mercado, o sinal é claro: a guerra de preços no segmento de entrada ganha um novo capítulo com foco em valor agregado.
A dobradinha que redefine o acesso à marca
Atualmente representada no país pelos SUVs médios B10 e C10, a Leapmotor mira o volume real de vendas com modelos de menor porte. O hatch A05 — conhecido como B03 em outros mercados e ainda sem nome definitivo para o Brasil — mede 4,17 metros de comprimento e 2,60 m de entre-eixos. O SUV A10, posicionado abaixo do B10, estica levemente a carroceria para 4,27 m, mantendo a mesma distância entre eixos.
Ambos chegam em duas versões de acabamento. A estratégia de “dois tamanhos, mesma plataforma” permite economia de escala na importação e simplifica a gestão de estoque das concessionárias, ponto sensível para a rentabilidade da rede nos primeiros anos de operação.
Ficha técnica: duas baterias, dois perfis de uso
A tabela abaixo resume as opções de trem de força para cada modelo. Note que o torque permanece constante nas versões de cada carro; o que muda é a potência e, consequentemente, a autonomia declarada pelo ciclo chinês CLTC (sempre otimista em relação ao padrão brasileiro PBEV):
- Leapmotor A05 (Hatch)
- Entrada: 95 cv | 39,8 kWh | 405 km (CLTC)
- Topo: 121 cv | 53 kWh | 510 km (CLTC)
- Leapmotor A10 (SUV)
- Entrada: 176 cv | 39,8 kWh | 405 km (CLTC)
- Topo: 197 cv | 53 kWh | 500 km (CLTC)
O A10 entrega números de performance superiores — espere acelerações mais vigorosas —, enquanto o A05 aposta na eficiência urbana. Ambos utilizam tração dianteira e arquitetura de 400V.
Tecnologia e segurança: o “pulo do gato” competitivo
O grande diferencial não está na planilha de potência, mas no pacote ADAS (sistemas avançados de assistência ao condutor) prometido como item de série em todas as versões. A lista inclui:
- Frenagem autônoma de emergência (AEB) com detecção de pedestres e ciclistas;
- Controle de cruzeiro adaptativo (ACC) com função “stop & go” para congestionamentos (TJA);
- Centralização de faixa, alerta de ponto cego e tráfego cruzado traseiro;
- Reconhecimento de sinais de trânsito e monitoramento de fadiga do motorista.
Para manobras, o sistema de câmeras 360° oferece visão “transparente” do chassi e estacionamento automático remoto. Um detalhe raro na categoria: o carro memoriza trajetos de ré de até 120 metros e refaz o percurso sozinho — útil para garagens apertadas ou vagas de difícil acesso.
Quanto vai custar e com quem briga
As projeções de mercado situam o hatch A05 na faixa de R$ 150 mil a R$ 170 mil. Nesse degrau, os rivais diretos são BYD Dolphin, Geely EX2, GAC Aion UT e MG4 Urban. Já o SUV A10 deve ficar entre R$ 180 mil e R$ 200 mil, disputando espaço com o BYD Yuan Pro e eventuais novidades da GWM ou Caoa Chery.
Se os preços se confirmarem, a Leapmotor entrega mais equipamentos de segurança ativa por real investido que a concorrência estabelecida. O risco, porém, reside na capacidade da rede Stellantis de dar capilaridade à marca fora dos grandes centros e no custo de pós-venda de componentes específicos — ponto que ainda carece de histórico no mercado nacional.
O que observar daqui para frente
O primeiro trimestre de 2027 é o marco para validar a execução. Acompanhe três variáveis: a definição dos nomes comerciais para o Brasil (o A05 pode ganhar identidade própria), a estrutura de garantia e revisões com preço fixo — decisiva para frota corporativa — e a velocidade de nacionalização de peças, que ditará a competitividade de longo prazo frente a rivais que já produzem localmente. A janela de oportunidade está aberta; a Leapmotor precisa converter tecnologia em confiança do comprador brasileiro.
