As agências da Caixa Econômica Federal retomaram atendimento parcial nesta segunda-feira (28) após o TST determinar a manutenção de 60% dos trabalhadores durante a greve nacional. A categoria está parada desde 10 de setembro e o dissídio coletivo será julgado amanhã (29).
O retorno, porém, está longe de ser uniforme. A Folha visitou sete unidades na capital paulista e encontrou realidades distintas: de agências com 60% do quadro ativo a locais onde apenas o gerente atendia emergências — e até uma unidade que sequer havia sido notificada da decisão judicial.
O que determinou o TST e por que importa para o seu bolso
O tribunal exigiu que 60% do efetivo — presencial ou remoto — permaneça trabalhando. A Contec, uma das entidades no processo, orientou as bases a cumprirem a liminar, mas ressaltou que a gestão de escalas cabe ao banco. O julgamento do dissídio, marcado para esta terça, pode definir o fim do impasse ou prolongar a paralisação.
O motivo da greve é o plano de saúde dos empregados. O Saúde Caixa passará por reajuste e alterações que os trabalhadores rejeitam. A Contraf-CUT argumenta que o banco não pode impor mudanças unilateralmente. Enquanto não há acordo, o cliente fica no meio do fogo cruzado.
Raio-X das agências visitadas: onde funciona e onde não funciona
A reportagem percorreu endereços nas regiões central e leste de São Paulo. O cenário varia drasticamente:
- Av. Paulista, 750 (sede administrativa): efetivo já recomposto nos termos da determinação.
- Av. Paulista, 1.708: cerca de 40% dos servidores presentes, segundo terceirizados.
- R. 13 de Maio, 1.970: 60% do quadro trabalhando, conforme relatos no local.
- Av. Paulista, 306: nenhum funcionário para atendimento; unidade alega não ter sido notificada.
- R. Pamplona, 518: apenas gerente de plantão para casos específicos.
- Av. Águia de Haia (zona leste): atendimento restrito a urgências com gerente.
- R. Consolação, 2.382: apenas segurança e caixas eletrônicos; orientação para buscar agências na Paulista.
O drama de quem depende do atendimento presencial
Rosângela Martinelli, 69, foi furtada na sexta-feira e precisava desbloquear a conta para receber a aposentadoria do INSS. Chegou à agência, viu as placas de greve e desistiu. Carlos Roberto Bueno, 39, tentava fazer portabilidade de financiamento e ouviu de um terceirizado que não havia atendimento. Marluce Bezerra da Silva, 62, buscava valores de FGTS e aposentadoria parados no banco — saiu sem solução e disse que tentaria outra unidade.
Esses relatos expõem a fragilidade de quem não tem familiaridade com canais digitais ou precisa de resoluções que o aplicativo não resolve. Idosos, beneficiários de programas sociais e quem lida com fraudes bancárias são os mais afetados.
Canais alternativos: o que o banco orienta usar agora
A Caixa reforça que os canais digitais operam normalmente. A lista abaixo reúne as opções oficiais para pagamentos, consultas e solicitações:
- Aplicativo Caixa e Internet Banking
- WhatsApp Caixa: 0800-1040104
- Caixa Tem, Cartões Caixa, Habitação Caixa, FGTS, DPVAT
- Alô Caixa: 4004-0104 (capitais e regiões metropolitanas) / 0800-1040104 (demais)
- Caixas eletrônicos e rede Banco24Horas
- Lotéricas e correspondentes Caixa Aqui
O que observar nas próximas 48 horas
O julgamento do dissídio coletivo no TST, nesta terça-feira (29), é o divisor de águas. Se houver acordo ou decisão favorável ao banco, a tendência é de normalização gradual. Se os trabalhadores recorrerem ou a decisão não contemplar as reivindicações do plano de saúde, a greve pode se alongar — e a determinação dos 60% será testada na prática dia a dia.
Para quem tem pendências urgentes — desbloqueio por fraude, liberação de FGTS, regularização de benefícios —, a estratégia mais segura hoje combina: ligar no 0800 antes de sair de casa, confirmar se a agência de destino está na lista das que cumprem a liminar e, se possível, resolver pelo aplicativo. O sindicato dos Bancários de São Paulo fará assembleia virtual hoje à noite; a posição que sair dali pode sinalizar o rumo da categoria.
