O g1 transmite ao vivo nesta terça-feira o debate da TV Bahia com os três principais candidatos ao governo do estado. ACM Neto (União Brasil), Jerônimo Rodrigues (PT) e Ronaldo Mansur (PSOL) sobem ao palco às 22h, horário de Brasília. A disputa definirá quem comanda o quarto maior PIB do Nordeste pelos próximos quatro anos.
Por que o empresariado deve acompanhar
A Bahia responde por 3,5% do PIB nacional e concentra polos industriais, portuários e agroindustriais estratégicos. O próximo governador herdará um orçamento de R$ 60 bilhões e decisões pendentes sobre concessões, incentivos fiscais e infraestrutura logística. Cada candidato sinaliza rumos distintos para essas pautas.
Para investidores, o debate funciona como termômetro de previsibilidade regulatória. Mudanças na legislação de zoneamento, regras de licenciamento ambiental e política de atração de indústrias dependem de caneta do Palácio de Ondina.
Os três perfis na disputa
- ACM Neto (União Brasil): ex-prefeito de Salvador por dois mandatos, aposta em gestão técnica, parcerias privadas e continuidade administrativa.
- Jerônimo Rodrigues (PT): ex-secretário de Educação e Desenvolvimento Rural, defende expansão do gasto social, reforma agrária e fortalecimento de empresas estatais.
- Ronaldo Mansur (PSOL): professor e sindicalista, propõe auditoria da dívida estadual, taxação de grandes fortunas e ruptura com modelos atuais de incentivo fiscal.
Temas que cortam o bolso do setor produtivo
A reforma tributária estadual, travada há dois anos na Assembleia Legislativa, reaparece nos programas de governo. Neto propõe simplificação de alíquotas do ICMS; Jerônimo condiciona mudanças a compensações federais; Mansur quer progressividade radical.
Outro ponto sensível: a renovação dos contratos de incentivo ao setor automotivo e petroquímico no Polo de Camaçari. Vencimentos escalonados entre 2023 e 2025 exigem decisão no primeiro ano de mandato. Atrasos podem gerar judicialização e fuga de aportes.
Infraestrutura: o gargalo logístico
O estado depende de três eixos rodoviários (BR-101, BR-116, BR-242) e do complexo portuário de Salvador-Aratu. Nenhum candidato apresentou cronograma detalhado de obras com fontes de financiamento definidas. O silêncio sobre PPPs para duplicações e dragagem preocupa operadores logísticos.
Dados da CNT mostram que 62% das rodovias baianas estaduais estão em condições regular, ruim ou péssima. O custo logístico adicional para o agronegócio do Oeste baiano chega a 18% sobre o frete médio nacional.
O que observar nos próximos 30 dias
O debate desta terça é o primeiro de três confirmados até o primeiro turno. Pesquisas recentes mostram cenário de segundo turno provável. O eleitorado indeciso — 22% segundo último levantamento — concentra-se nas regiões metropolitanas e no Oeste, justamente onde o voto tem correlação direta com indicadores de renda e emprego formal.
Fique atento às propostas concretas para: desburocratização de licenciamentos, agenda de leilões de ativos estaduais, regras de transição energética no semiárido e metas de redução da informalidade, que atinge 41% da força de trabalho local.
Quem ler as entrelinhas do discurso de cada candidato nesta noite terá vantagem na leitura de cenários para alocação de capital no estado nos próximos anos. O sinal mais claro não virá de promessas genéricas, mas da disposição de cada um em citar números, prazos e fontes de recurso.
