Economia

Granizo ataca café em floração: prejuízo milionário em Minas?

Plantação de café em floração danificada por granizo no Sul de Minas Gerais
Granizo destrói flores de café no Sul de Minas, ameaçando safra 2025 e contratos futuros.

Uma tempestade de granizo varreu áreas cafeeiras do Sul de Minas na segunda-feira, atingindo em cheio lavouras no auge da floração. O fenômeno durou apenas 20 minutos, mas o estrago pode ecoar na safra 2025 e nos contratos futuros. Produtores e traders já refazem as contas.

Onde e quando o gelo caiu

O evento começou às 14h28 em São João da Mata e se estendeu por bairros rurais como Pico Agudo, Dourado da Ponte, Paredão e Serra dos Coutinhos — divisa com Poço Fundo. Em Campestre, o granizo chegou oito minutos antes, por volta das 14h20, castigando os bairros Capituvas e Caxambu. A área urbana de Campestre registrou apenas chuvisco.

Por que a floração torna tudo mais grave

O café está na fase mais sensível do ciclo. As flores, que virariam grãos nos próximos meses, são estruturas delicadas; o impacto mecânico do granizo derruba ou machuca a florada, reduzindo diretamente o pegamento dos frutos. Não há como “recuperar” uma flor perdida — a perda é definitiva para o ciclo atual.

  • São João da Mata: secretaria de Agricultura confirma danos em lavouras de café; área urbana ilesa.
  • Campestre (Capituvas): morador relata pés de café danificados e perda total de feijão plantado entre ruas — replantio necessário.
  • Campestre (Caxambu): granizo confirmado; extensão no café ainda incerta.

O efeito cascata nos números do negócio

Uma quebra de 10% a 15% no pegamento da florada — estimativa conservadora para eventos desse porte — pode tirar de 2 a 3 sacas por hectare da colheita seguinte. Em uma região onde a média gira em torno de 25 a 30 sacas/ha, a perda relativa é expressiva. Multiplique por centenas de hectares atingidos e a conta entra na casa das dezenas de milhares de sacas a menos no mercado.

Mas o impacto não para no volume. Grãos de floradas danificadas tendem a apresentar maturação desigual, o que derruba a qualidade da bebida e afasta compradores de lotes especiais — justamente onde está a margem maior.

Seguro, crédito e o calendário apertado

Produtores com apólice de seguro agrícola acionam peritos nos próximos dias; a velocidade da vistoria ditará o fluxo de caixa para o custeio da safra. Quem não tem seguro depende de linhas de emergência do Banco do Brasil ou BNDES, que costumam exigir laudo técnico e têm tramitação lenta.

O replantio de feijão citado em Campestre ilustra o efeito colateral: culturas de rotação ou consórcio também sofrem, pressionando a renda familiar no curto prazo.

O que observar daqui para frente

Três variáveis definirão a dimensão real do prejuízo nas próximas semanas: (1) laudos periciais consolidados por município; (2) comportamento das chuvas até o enchimento dos grãos — estiagem agora ampliaria o dano; (3) reação do mercado futuro em Nova York e Londres, que já precifica risco climático, mas pode subir prêmio se a quebra se confirmar generalizada. Para quem negocia café ou financia a cadeia, o sinal é claro: monitorar os relatórios de campo das cooperativas e as atualizações da Conab nas próximas duas semanas.