Economia

Credspot mira R$ 500 mi em carteira e aposta em IA para driblar calote no consignado privado

CEO da Credspot Igor Sartor apresenta crescimento da fintech com gráficos de IA e consignado privado
Credspot projeta R$ 500 mi em carteira até 2027 usando IA para reduzir inadimplência no consignado

A Credspot, originadora especializada em consignado privado, projeta fechar 2027 com uma carteira de R$ 500 milhões. Para chegar lá, a fintech quer captar R$ 150 milhões ainda este ano. O número chama atenção, mas o diferencial está em como a empresa seleciona quem recebe o dinheiro.

Atualmente, 99% do volume originado vem do Crédito do Trabalhador. O fluxo mensal oscila entre R$ 15 milhões e R$ 20 milhões. A meta de crescimento é agressiva, mas o CEO Igor Sartor diz que o segredo não é originar mais — é originar melhor.

Onde a maioria erra, a Credspot aposta em tecnologia

Sartor é direto: muitas fintechs originam volume, mas a inadimplência aparece entre o terceiro e o quarto mês. Para evitar esse ciclo, a empresa usa inteligência artificial e machine learning na análise de crédito. O objetivo é emprestar apenas para quem tem capacidade real de pagamento.

Essa precisão, segundo o executivo, é o que dá conforto ao investidor. Não há promessa de risco zero, mas a aposta em modelos preditivos reduz a surpresa negativa no balanço.

Três pivôs até encontrar o caminho

A trajetória da Credspot não foi linear. Fundada em agosto de 2023, a startup começou oferecendo infraestrutura financeira para grandes bases de clientes, com viés em publicidade. O teste com pequenos provedores de internet falhou: bases pequenas, conversão baixa.

O segundo modelo foi um marketplace de empréstimos focado em antecipação de FGTS. Durou até o governo mudar as regras do fundo, no fim de 2024. Foi aí que a empresa migrou para o consignado privado — entre outubro e novembro do ano passado.

O efeito da mudança regulatória

A alteração nas regras da antecipação do FGTS forçou a reinvenção. Sartor aponta que ainda há falhas operacionais tanto nas empresas quanto na Dataprev, o que eleva a inadimplência do produto. Mas discorda de quem culpa o Crédito do Trabalhador pelo endividamento das famílias.

Para o CEO, quem não acessa o consignado recorre ao empréstimo pessoal, com juros muito maiores. No privado, as taxas giram em torno de 3,5% a 4% ao mês — bem abaixo do rotativo ou do crédito pessoal tradicional.

  • Taxa média do consignado privado: 3,5% a 4% ao mês
  • Volume mensal atual da Credspot: R$ 15 mi a R$ 20 mi
  • Meta de captação para 2024: R$ 150 milhões
  • Projeção de carteira para 2027: R$ 500 milhões

Um mercado que pode quintuplicar

Sartor estima que a carteira total do consignado privado esteja hoje em torno de R$ 120 bilhões, após crescer R$ 100 bilhões em apenas um ano. A projeção é de que o mercado ultrapasse R$ 600 bilhões em cinco anos. Se o cenário se confirmar, a fatia da Credspot ainda será pequena — mas o ritmo de expansão deixa espaço para ganhar relevância.

O executivo não esconde que erros operacionais de terceiros afetam o resultado. Ainda assim, mantém a tese: o produto resolve um problema de custo para o trabalhador e, bem gerido, entrega retorno ao investidor.

O que observar nos próximos trimestres

A execução do plano de captação de R$ 150 milhões será o primeiro termômetro. Se o dinheiro entrar no caixa nos termos previstos, a originação pode acelerar sem perder qualidade. Outro ponto: a estabilização dos processos na Dataprev e nas empresas empregadoras. Qualquer ruído lá afeta diretamente a inadimplência aqui. Por fim, vale acompanhar se a IA da Credspot consegue manter o índice de calote sob controle conforme a carteira cresce. O modelo será testado justamente na escala.