Economia

CSN derrete 10% após cortar produção: o que está por trás do tombo

Gráfico mostra ações da CSN caindo 10% após corte de produção de minério de ferro para 2026
Ações da CSN desabam 10% após CSN Mineração reduzir meta de produção 2026 para 39-41 milhões de toneladas

As ações da CSN afundaram mais de 10% nesta terça-feira (29) depois que a CSN Mineração reduziu a meta de produção para 2026. O papel chegou a R$ 5,44, enquanto a controlada recuava 5,34%. A revisão expõe um problema estrutural que vai além de um trimestre ruim.

A mineradora cortou a estimativa de 45–47 milhões para 39–41 milhões de toneladas e elevou o custo de caixa para US$ 25–26 por tonelada. Menor volume, custo maior: a equação aperta a rentabilidade justamente quando a dívida consolidada beira R$ 42 bilhões.

O frete que mudou o jogo

O custo do transporte marítimo Brasil–China praticamente dobrou desde o início do conflito no Oriente Médio. Com frete a US$ 43/t e minério a US$ 97/t, o preço líquido na origem (FOB) caiu cerca de 28% frente à média do segundo trimestre.

Para o Goldman Sachs, a CSN Mineração está entre as mais expostas a esse choque por depender de preços spot e comprar parcela relevante de terceiros. O BTG Pactual estima que 30 a 40 milhões de toneladas anuais de oferta brasileira correm risco nas atuais condições.

Impacto direto no caixa e nos dividendos

O Itaú BBA projeta redução de R$ 700 milhões a R$ 1 bilhão no Ebitda 2026 ante a estimativa anterior. Menor geração de caixa significa menos margem para pagar proventos e alongar o cronograma de desalavancagem.

  • Alavancagem atual: ~3,5x dívida líquida/Ebitda
  • Dívida líquida: ~R$ 42 bilhões
  • Custo de caixa revisado: US$ 25–26/t
  • Produção 2026 (nova): 39–41 Mt

A venda da CSN Cimentos surge como alavanca potencial para reduzir o endividamento, mas o timing e o valuation da transação seguem incertos.

Vale e Usiminas: contágio seletivo

A Vale caiu 1,88% no mesmo pregão, mas analistas veem assimetria. A gigante produz minério de maior teor, o que dilui o peso do frete na margem. A Usiminas, por sua vez, já havia anunciado corte semelhante nas semanas anteriores, sinalizando que o movimento é setorial, não idiossincrático.

Marcelo Boragini, da Davos Investimentos, lê a redução de volumes de menor margem como disciplina de capital: “Prefere-se produzir menos a operar no prejuízo. Se frete cair ou minério subir, a produção volta”.

O que observar daqui para frente

Três variáveis ditam o próximo capítulo: a trajetória do frete marítimo, o preço do minério na China e a velocidade de execução da venda de ativos não essenciais. Enquanto o frete seguir acima de US$ 40/t, a geração de caixa da mineração permanecerá pressionada, alongando o caminho para a meta de desalavancagem. Investidores devem monitorar também a demanda doméstica de aço, que dá sinais de enfraquecimento e fecha a pinça sobre o conglomerado.