Justiça

Greve na Caixa: TST obriga 60% de volta e multa de R$ 100 mil por dia — o que muda agora

Agência da Caixa Econômica Federal com funcionários atendendo durante greve parcial determinada pelo TST
Caixa reabre agências com 60% do quadro após decisão do TST que impôs multa de R$ 100 mil/dia a sindicatos

O Tribunal Superior do Trabalho determinou que a Caixa Econômica Federal mantenha 60% do quadro em atividade durante a paralisação iniciada em 10 de setembro. A liminar do ministro Maurício Godinho Delgado prevê multa diária de R$ 100 mil para sindicatos que descumprirem a ordem. O julgamento do dissídio coletivo que pode encerrar o impasse está marcado para esta terça-feira (29).

Como fica o atendimento a partir de segunda

Na prática, as agências reabrem parcialmente nesta segunda-feira (28). A decisão autoriza trabalho presencial ou em home office. Na sexta-feira (25), a Folha constatou que unidades visitadas operavam apenas com caixas eletrônicos. O banco orienta clientes a priorizarem canais digitais e lotéricas enquanto a negociação não se resolve.

Segundo a Caixa, mais de 80% das agências estavam fechadas no auge do movimento. A instituição argumenta que a greve compromete serviços essenciais: pagamento de benefícios sociais, gestão do FGTS e compensação bancária. O banco está presente em 98% dos municípios brasileiros.

O que o TST decidiu — e o que negou

O relator enquadrou a atividade bancária como serviço essencial pela Lei de Greve, citando precedente de 2021 em que o mesmo percentual (60%) foi fixado para a Caixa. A Corte, porém, rejeitou o pedido para proibir piquetes e bloqueios nas agências, por não identificar excessos por parte dos grevistas. As regras do acordo coletivo anterior valem até o julgamento final.

  • Percentual mínimo: 60% dos funcionários em atividade
  • Multa por descumprimento: R$ 100 mil/dia para sindicatos
  • Modalidade: presencial ou home office
  • Próximo passo: julgamento de mérito na terça-feira (29)

Sindicatos divergem sobre alcance da liminar

Paulo Tonon, coordenador do Sindicato dos Bancários de Bauru e Região, afirmou que a entidade não foi notificada oficialmente. Para ele, a obrigação recai apenas sobre quem atua diretamente no atendimento a demandas sociais — como pagamento de benefícios —, não sobre áreas como logística. Tonon acusa a Caixa de usar a decisão para tentar normalizar toda a operação, inclusive venda de produtos, enfraquecendo a greve antes do julgamento.

O Sindicato dos Bancários de São Paulo e Região, o maior da categoria, ainda não se posicionou. Enquanto isso, a orientação nas bases tem sido dar respaldo tanto a quem retorna quanto a quem mantém a paralisação.

O impacto real para quem depende do banco

João Alvarenga, 88 anos, ilustra o drama de milhares de clientes. Ele tentou reverter uma portabilidade de aposentadoria feita sem compreensão para um banco digital sem agências físicas. Há um mês busca resolver na Caixa, mas encontra portas fechadas. Idoso e com dificuldade auditiva, não consegue sacar o benefício quando está fora de casa.

Nas agências, cartazes dos sindicatos explicam a greve e listam alternativas. Trabalhadores terceirizados costumam orientar quem chega ao local.

Canais que seguem funcionando

Enquanto o impasse persiste, a Caixa mantém operantes:

  • Caixas eletrônicos e rede Banco24Horas
  • Aplicativos: Caixa, Caixa Tem, Cartões Caixa, Habitação Caixa, FGTS, DPVAT
  • Site, WhatsApp (0800-1040104) e Alô Caixa (4004-0104 / 0800-1040104)
  • Lotéricas e correspondentes Caixa Aqui

O que observar nos próximos dias

O julgamento de terça-feira (29) definirá se a greve será declarada abusiva, qual o reajuste e as cláusulas do novo acordo. Até lá, a regra dos 60% vale. Para empresários e investidores, o sinal relevante é a manutenção da operação do FGTS e dos benefícios sociais — e a capacidade da Caixa de sustentar a rede mesmo sob pressão. Acompanhe a ata do dissídio: ela ditará o custo trabalhista do banco nos próximos dois anos.