Oito chapas oficializaram candidatura ao governo de Santa Catarina, colocando 5,7 milhões de eleitores diante de um cenário pulverizado que pode arrastar a definição para o segundo turno. O primeiro embate ocorre em 4 de outubro, mas a fragmentação partidária sinaliza que a negociação real começará apenas após as urnas.
Para quem acompanha o ambiente de negócios no estado, a pulverização não é apenas um detalhe eleitoral: ela dita o ritmo de aprovação de projetos de infraestrutura, a continuidade de incentivos fiscais e a articulação no Congresso nos próximos quatro anos.
O eleitorado em números: onde está o voto decisivo
O Tribunal Superior Eleitoral confirma 5.725.753 aptos a votar. Mulheres somam 52% do colégio, homens 48%. Entre os 20,73% que declararam cor ou raça, a composição é assimétrica: 71,27% brancos, 22,59% pardos e 5,37% pretos. O dado importa porque regiões com perfis socioeconômicos distintos tendem a concentrar apoio em candidaturas diferentes, forçando alianças transversais no segundo turno.
O calendário prevê segundo turno em 25 de outubro, caso ninguém supere 50% dos votos válidos. A mesma regra vale para a disputa presidencial, o que nacionaliza o palanque catarinense e amplia a influência de Brasília nas negociações locais.
Os oito nomes na urna — ordem alfabética
- Bruno Pedreiro (PCO) — Brunno Andrade Dias
- Gelson Merísio (PSB) — Gelson Luiz Merisio
- João Rodrigues (PSD)
- Jorginho Mello (PL) — Jorginho dos Santos Mello
- Laís Chaud (UP) — Laís Paganelli Chaud
- Marcelo Brigadeiro (Missão) — Marcelo Marcel Franco Jose da Silva
- Professor Marcus Sodré (PSTU) — Marcus Alexandre Sodré
- Ralf Zimmer (PRD) — Ralf Guimarães Zimmer Junior
A presença de legendas de centro-direita (PSD, PL), centro-esquerda (PSB) e esquerda radical (PCO, PSTU, UP) indica que o debate deve oscilar entre pautas de desburocratização tributária e ampliação de políticas sociais — sem um polo hegemônico aparente.
Por que a fragmentação afeta contratos e investimentos
Santa Catarina responde por cerca de 4% do PIB nacional e lidera indicadores de formalização de empresas. Um governo sem base ampla na Assembleia Legislativa tende a governar por decretos e medidas provisórias, o que eleva a insegurança jurídica para contratos de longo prazo — especialmente em logística portuária, energia e inovação tecnológica.
Além disso, a chapa de senador eleita (um titular e dois suplentes) comporá a bancada que vota indicações para agências reguladoras e diretrizes do BNDES. O alinhamento entre governador e senador define a capacidade do estado de captar recursos federais para obras como a duplicação da BR-101 e a nova ponte da Lagoa.
Cenários para o dia seguinte à apuração
Se o vencedor emergir já no primeiro turno, a transição começa com sinalização clara de secretariado e prioridades legislativas. Se for ao segundo turno, espere 21 dias de negociação intensa: apoios formais em troca de pastas estratégicas (Fazenda, Infraestrutura, Desenvolvimento Econômico) e emendas impositivas.
O empresariado catarinense — historicamente organizado via FIESC e FACISC — costuma apresentar pauta única aos finalistas. A adesão ou resistência a essa pauta será o termômetro mais confiável do rumo da gestão.
O que observar daqui para frente
Monte seu radar em três frentes: (1) pesquisas qualitativas nas regiões do Vale do Itajaí, Norte e Grande Florianópolis — elas antecipam onde o voto de legenda se converte em voto de opinião; (2) movimentos de fusão de tempo de TV entre candidaturas nanicas e médias, que alteram a visibilidade nos 45 dias finais; (3) posicionamento dos candidatos sobre a Reforma Tributária estadual e a manutenção do regime diferenciado para micro e pequenas empresas. Quem ler esses sinais antes do dia 4 de outubro ganha janela de antecipação para ajustar estratégia de expansão, captação ou lobbying no estado.
