Faltam sete dias para o primeiro turno e os candidatos usaram o derradeiro fim de semana de campanha para cravar suas bandeiras econômicas. O que estava em jogo não era apenas agenda de rua, mas o desenho de políticas que podem mexer no bolso do empresário e no rumo dos investimentos a partir de 2027.
A proibição das bets, o crédito ao agronegócio e a taxa de juros dominaram os discursos. Mas houve também propostas sobre petróleo, jornada de trabalho e impostos que passam despercebidas na cobertura tradicional — e que podem definir setores inteiros.
O front das apostas: proibição, taxação ou apenas publicidade
Luiz Inácio Lula da Silva (PT) transformou a assinatura do decreto que veda a operação de bets em palanque. Na Zona Leste de São Paulo, disse que “não se ganha dinheiro matando o povo pobre” e prometeu fiscalização dura contra casas clandestinas. A medida já está em vigor desde sexta-feira (25).
Ronaldo Caiado (PSD) foi na mesma direção, mas mirou na publicidade: defende “restrição dura” aos anúncios. Já Augusto Cury (Avante) propõe extinção pura e simples ou, no mínimo, taxação maior. Para o mercado, o sinal é claro: o setor de apostas online entra em zona de risco regulatório independentemente de quem vencer.
Crédito, juros e impostos: o receituário do centro-direita
Romeu Zema (Novo) usou Minas Gerais como vitrine. Em Pouso Alegre e Varginha, pediu mais crédito para o agronegócio e a criação de um seguro-safra — demanda antiga do setor que travou no Congresso. O candidato atrelou a expansão da produção à queda dos juros, ecoando o discurso de que o custo do dinheiro hoje inviabiliza projetos de longo prazo.
Renan Santos (Missão) adotou a cartilha liberal clássica: redução de impostos e enxugamento da máquina estatal. A diferença está no tom: ele falou em “custos pelo Estado”, sugerindo corte de despesas correntes antes de qualquer ajuste tributário.
Petróleo e pautas de costumes: a aposta de Flávio Bolsonaro
No Nordeste, Flávio Bolsonaro (PL) fez uma promessa direta a Sergipe: explorar o petróleo do pré-sal local e destinar a receita à população. A fala sinaliza abertura para novos leilões e flexibilização ambiental — pontos sensíveis para investidores de óleo e gás.
Em paralelo, reforçou bandeiras de costumes: redução da maioridade penal, CNH para menores, castração química para estupradores e programas de empreendedorismo. O pacote mira o eleitorado conservador, mas o viés empreendedorismo pode indicar foco em microcrédito e desburocratização.
Jornada 6×1 e o debate trabalhista que não para
Lula voltou a defender o fim da escala 6×1, projeto que tramita no Congresso. Se aprovado, o impacto recai sobre varejo, serviços e indústria de turnos contínuos — setores que empregam milhões e operam com margens apertadas. A proposta ainda não tem texto final, mas a menção recorrente do presidente-candidato coloca o tema na mesa do próximo governo.
O que observar nos próximos sete dias
As pesquisas de intenção de voto divulgadas até quinta-feira (30) darão a medida real de quem chega ao domingo (4) com chance de liquidar a fatura no primeiro turno ou forçar um segundo turno em 26 de outubro. Para o agente econômico, três variáveis importam mais que o nome do vencedor: composição do Congresso (que define a viabilidade das propostas), sinalização de política fiscal no primeiro discurso pós-eleição e a velocidade de formação da equipe econômica. O mercado não vota — mas precifica a incerteza a cada dia.
