A coronel Lúcia Helena Alvim Lino assumiu nesta quarta-feira (28) o comando da 7ª Região da Polícia Militar em Divinópolis, tornando-se a primeira mulher a ocupar o posto na história da unidade. A nomeação quebra um ciclo de exclusão que perdurou por décadas na corporação mineira.
Mas a simbologia da posse vai muito além de um marco institucional. O território sob sua responsabilidade abrange 50 municípios e 40 distritos, coordenados através de sete unidades operacionais. A decisão sinaliza uma mudança estrutural na forma como a segurança pública será gerida na região Centro-Oeste de Minas.
O peso da responsabilidade sobre 50 municípios
Durante a solenidade no auditório da Faculdade Anhanguera, Lúcia Helena sucedeu o coronel Carlos Henrique Leite de Souza. Em seu discurso, destacou que recebe a missão com “humildade, entusiasmo e a firme convicção do propósito que me move”. A região sob seu comando concentra desafios que vão do policiamento urbano à segurança rural.
A coronel tem 26 anos de carreira na PM. Natural de São João da Serra, distrito de Santos Dumont na Zona da Mata, ela construiu uma trajetória que passa por áreas estratégicas da corporação. Não foi um caminho linear — e isso pode ser a chave para entender sua nomeação.
Uma carreira desenhada para a gestão estratégica
O currículo da nova comandante revela uma preparação deliberada para postos de alto escalão:
- Chefe do curso de formação de oficiais na Academia de Polícia Militar
- Atuação no 16º BPM em Belo Horizonte
- Integração na Primeira Seção do Estado-Maior (gestão estratégica de pessoal)
- Chefe da Assessoria Jurídica da Corregedoria da PMMG
- Comando do 66º Batalhão em Betim — seu posto imediatamente anterior
A passagem pela Corregedoria e pelo Estado-Maior indica familiaridade com a burocracia institucional e com a gestão de recursos humanos em larga escala. O comando operacional em Betim, por sua vez, manteve sua conexão com a ponta da linha de frente.
O efeito cascata na representatividade feminina
A cerimônia contou com a presença da coronel Cleide Barcelos dos Reis Rodrigues, que em 2026 assumiu o comando-geral da Polícia Militar de Minas Gerais — também a primeira mulher na função. Cleide foi direta ao ponto: “A nomeação da coronel Lúcia Helena é de extrema importância para todas as mulheres do estado. É a demonstração de que a mulher, quando tem a oportunidade, consegue muito bem realizar todas as atividades que são entregues nas mãos dela”.
A fala da comandante-geral não é apenas cerimonial. Ela aponta para um movimento mais amplo: a ocupação de espaços de decisão por mulheres na segurança pública mineira. A presença de autoridades civis — prefeita Janete Aparecida, vereadores, delegados e promotores — reforça o caráter político da nomeação.
O que observar daqui para frente
A transição de comando ocorre em um momento sensível para a segurança na região. Os primeiros 90 dias devem ditar o tom da gestão. Três eixos merecem atenção:
- Redesenho das estratégias de policiamento nos 40 distritos rurais
- Integração com as polícias Civil e Penal nos 50 municípios
- Gestão de efetivo e logística diante das demandas sazonais
A coronel Lúcia Helena herda uma estrutura consolidada, mas terá que provar que a quebra de paradigma se traduz em resultados operacionais. O simbolismo abriu a porta. A entrega cotidiana é que definirá se ela permanecerá aberta para as próximas.
