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O segredo do petróleo venezuelano: por que Flávio Bolsonaro muda tudo

Petróleo venezuelano e relações Brasil-EUA: Flávio Bolsonaro e Marco Rubio em destaque geopolítico
O xadrez geopolítico do petróleo venezuelano envolve Brasil, EUA e interesses estratégicos globais.

Três grandes empresas brasileiras já operam no setor energético da Venezuela, mas todas dependem de um único aval: o “ok” do Departamento de Estado dos EUA. Desde janeiro, ninguém entra nos campos de petróleo venezuelanos — que guardam 20% das reservas mundiais — sem a bênção de Marco Rubio. A questão que move os bastidores: quem tem a chave para destravar essa porta?

A resposta circula em rodas restritas de empresários e consultores ouvidos sob reserva. Uma eventual vitória do senador Flávio Bolsonaro (PL) na corrida presidencial alteraria radicalmente o tabuleiro. A proximidade da família Bolsonaro com Donald Trump funcionaria como atalho para as licenças que hoje emperram novos investimentos.

O gargalo invisível que trava o dinheiro brasileiro

Hoje, a diplomacia brasileira tem poder de fogo quase nulo em Caracas. O governo Lula não reconheceu a reeleição de Nicolás Maduro em 2024 e mantém distância da gestão Trump — que, na prática, aprova ou veta cada projeto em solo venezuelano. Enquanto isso, a americana Chevron, a espanhola Repsol e a italiana Eni seguem donas da maior fatia da exploração.

Três companhias nacionais já furaram o bloqueio:

  • Alvorada: explora três campos na faixa do Orinoco desde 2023 e anunciou expansão em abril.
  • Globe (J&F): comprou cerca de 50% da Petrororaima, joint venture com a PDVSA, via subsidiária Fluxos.
  • Eneva (BTG Pactual): assinou memorando com a Halliburton para mapear áreas, mas aguarda liberação de licenças.

Todas entraram nos últimos anos. Todas precisaram, de alguma forma, navegar pelo crivo de Washington.

Por que a Casa Branca passou a ditar as regras

Desde a posse de Maduro em janeiro, a Venezuela reabriu a economia e revisou suas leis petrolíferas. O alívio nas sanções americanas e europeias criou janelas de oportunidade — mas com condicionantes. Os EUA fecharam acordo de concessão por cem anos em 17 campos com o empresário Alejandro Betancourt, investigado por corrupção internacional. A mensagem é clara: quem opera lá precisa ser “amigo de Washington”.

A gestão desse novo cenário ocorre literalmente dentro do edifício da PDVSA. A equipe do encarregado de negócios dos EUA em Caracas, John Barrett, trabalha lado a lado com a ministra venezuelana de Petróleo, Paula Henao. Contratos de participação produtiva (CPPs) firmados nos últimos dois anos estão sendo revisados para expulsar nomes ligados ao regime pré-intervenção, a Cuba, ao Irã ou a qualquer ator que cause “ojeriza aos americanos”.

A estratégia que funciona: ter um sócio americano

Empresários que planejam entrar no mercado identificaram o atalho: firmar parceria com uma contraparte dos EUA. A presença de um player americano no consórcio suaviza o crivo da Casa Branca — o tal “ok do Rubio”. A exploração é majoritariamente onshore (em terra), onde o retorno financeiro é mais rápido e a maior parte do óleo está concentrada.

A produção atual gira em torno de 1,2 milhão de barris/dia. Nas décadas de 1960 e 1970, superava 3 milhões. Mesmo sob Chávez, antes da crise de 2017, mantinha-se acima de 2 milhões. O potencial de recuperação é o que atrai o capital.

Além do petróleo: a infraestrutura que ninguém vê

O interesse não se limita a poços. O grupo Lide, de João Doria, inaugurou unidade em Caracas sob comando de Tomas Alejandro Guzman. Ele relata procura crescente de empresas brasileiras — inclusive uma refinaria do Norte do país — por apoio para prospectar no mercado venezuelano.

O petróleo puxa uma esteira de demandas:

  • Construção civil e logística
  • Formação de mão de obra especializada
  • Reativação de pistas aéreas e aeroportos regionais
  • Serviços de relocation para expatriados
  • Impulsionamento agrícola para abastecer cidades em crescimento

Quem chegar primeiro nas licenças leva também a cadeia de serviços ao redor.

O xadrez político que define o calendário

Sob tutela americana, chavistas dialogam com a oposição representada por Dinorah Figuera, ex-presidente da Assembleia Nacional exilada. Críticas persistem — notadamente a exclusão de María Corina Machado. Mesmo assim, o processo avança: novos juízes para o Supremo estão sendo eleitos e centenas de presos políticos foram libertados.

Nos bastidores, cogita-se eleições presidenciais no fim de 2028. Oficialmente, Trump e Delcy Rodríguez afirmam que o país “ainda não está pronto”. A incerteza política é variável que todo investidor precifica.

O que observar daqui para frente

A Alvorada resumiu o dilema em nota: a continuidade do governo atual mantém o padrão bilateral atual; uma mudança aproxima o Brasil da agenda americana para a região. Em qualquer cenário, a pragmatismo nas relações entre Brasília e Washington será o diferencial para abrir espaço a mais empresas nacionais.

Três variáveis decidem o ritmo nos próximos meses: a definição do cenário eleitoral brasileiro, a disposição da Casa Branca em ampliar as licenças e a capacidade da PDVSA de honrar os novos contratos sem sobressaltos. Quem monitorar esses três vetores — e tiver estrutura para agir rápido quando a janela abrir — capturará a fatia que hoje pertence apenas aos gigantes internacionais.