Economia

PMI do Reino Unido surpreende: melhor mês desde fevereiro e IA impulsiona pedidos

Gráfico de crescimento do PMI composto do Reino Unido em outubro com ícones de inteligência artificial
PMI composto britânico atinge 51,7 em outubro, maior nível desde fevereiro, impulsionado por IA.

A atividade empresarial britânica acelerou em outubro ao ritmo mais forte em oito meses, puxada por uma onda de novos contratos e pela retomada da demanda por soluções de inteligência artificial. O índice de gerentes de compras (PMI) composto saltou para 51,7 pontos, acima dos 50 que separam expansão de contração.

O número pegou analistas de surpresa. A mediana das projeções apontava para 50,5. O componente de serviços — motor da economia do Reino Unido — marcou 51,8, enquanto a manufatura subiu para 50,3, saindo de território recessivo.

O que está por trás da virada

Dois vetores explicam o salto. Primeiro, o fim da incerteza política após as eleições de julho liberou decisões de investimento represadas. Segundo, projetos de IA generativa voltaram a entrar nos orçamentos de TI de grandes corporações e do setor público.

Empresas de software, consultoria e data centers relatam pipelines de vendas mais cheios desde o primeiro trimestre. “Pedidos que estavam parados em comitês de aprovação voltaram à mesa”, diz um diretor de uma integradora de sistemas em Londres.

Impacto direto no caixa das empresas

  • Fluxo de caixa: ciclos de conversão de pedido em receita encurtaram de 90 para 60 dias em média.
  • Contratações: intenção de ampliar quadro subiu ao maior nível desde maio, segundo subíndice de emprego do PMI.
  • Preços: pressão de custo de insumos arrefeceu, mas poder de repasse permanece limitado pela concorrência.

Pequenos fornecedores de componentes eletrônicos e serviços de anotação de dados são os que mais sentem o efeito imediato. Grandes players de nuvem reportam ocupação de data centers acima de 85% na região de Londres.

Setor industrial ainda caminha com cautela

Embora a manufatura tenha voltado a crescer, o ritmo é frágil. Estoques elevados em distribuidores europeus e encomendas de exportação estagnadas limitam a produção. O subíndice de novas encomendas externas ficou em 48,9 — ainda em contração.

Montadoras e fabricantes de máquinas relatam que clientes na Alemanha e França postergam entregas para 2025. Isso mantém as fábricas britânicas operando com ociosidade de 12% a 15%.

O que observar nas próximas semanas

O Banco da Inglaterra monitora o PMI de perto. Um dado consistentemente acima de 51 pode adiar cortes de juros previstos para novembro. Já o Tesouro avalia se a recuperação justifica manter metas de empréstimo no orçamento de outono.

Para gestores, o sinal prático é claro: revisar projeções de receita do quarto trimestre para cima, mas manter disciplina de capital. A recuperação é real, porém concentrada em bolsões de tecnologia e serviços de alto valor agregado. Diversificar carteira de clientes entre setores expostos a IA e manufatura tradicional reduz o risco de uma desaceleração assimétrica no primeiro trimestre de 2025.