Dorival Júnior e Rafinha estão desalinhados com o planejamento de austeridade que o São Paulo precisará adotar em 2027. A comissão técnica custa até R$ 2,4 milhões por mês — patamar de elite — enquanto a diretoria bloqueia a base nos momentos decisivos. A conta não fecha para nenhum dos dois lados da disputa presidencial.
O peso da folha que ninguém comenta
Fontes internas revelam que o custo mensal da comissão de Dorival oscila entre R$ 2,2 milhões e R$ 2,4 milhões. Para um clube que precisa reestruturar dívidas, montar elenco de baixo custo e apostar na formação, esse valor equivale a contratar três ou quatro promessas da base com salários iniciais.
O desempenho em campo reforça o descompasso. A campanha atual é mais irregular que a dos antecessores Hernán Crespo e Roger Machado, ambos com custos operacionais inferiores.
A base existe, mas o sinal verde não vem
O discurso de “prestígio à base” esbarra na prática. Em jogos de alta pressão, Dorival recorre a veteranos sem margem de revenda ou crescimento.
- Zaga: Osório e Isac, avaliados como alto potencial, perdem espaço para Rafael Toloi (32+ anos, alto salário, contestado).
- Ataque: Ferreirinha e Victor Sá consomem minutos que poderiam acelerar Lucca.
- Lateral-direita: Igor Felisberto (Seleção Sub-20) fica atrás de Aurélio Buta (lesionado) e Pedro Lima (emprestado pelo Wolverhampton).
Mas o efeito mais relevante aparece na gestão de contratações.
Reforços caros, retorno zero: o legado de Rafinha
Desde que assumiu o comando executivo, o ex-lateral acertou a vinda de Pedro Lima, mas trouxe quatro nomes entre 29 e 32 anos: Buta, Domingos Duarte, Victor Sá e Iago. Todos com salários acima da média da base e ocupando vagas de quem poderia ser desenvolvido para venda ou titularidade.
A tarefa para 2027 será dolorosa: promover a saída de atletas que custam caro e não rendem esportivamente nem financeiramente.
O que dizem os candidatos ao poder
Em entrevista ao UOL, o oposicionista Marcelo Portugal Gouvêa foi direto: quer técnico que caiba no orçamento, use a base com agressividade e encontre soluções no elenco atual. Do lado da situação, aliados de Vinicius de Medeiros sinalizam que a reorganização financeira também será a prioridade número um.
Nenhum dos dois projetos comporta a manutenção da estrutura atual de custos e decisões.
O checklist para 2027: o que precisa mudar
Para sair do ciclo de endividamento, o clube precisa virar a chave em três eixos simultâneos:
- Gastar menos e contratar cirurgicamente, priorizando idade e potencial de revenda.
- Testar promessas em clássicos e sequências longas, não apenas em jogos “menores”.
- Alinhar comissão técnica e diretoria de futebol a uma mesma métrica: eficiência financeira.
O que observar daqui para frente
A eleição presidencial definirá o ritmo, mas a pressão por resultados imediatos costuma atropelar planejamentos. O termômetro real será a primeira janela de 2027: se o clube trouxer mais um veterano de 30 anos para “resolver agora”, o discurso de reestruturação terá caído no vazio. Acompanhe a composição da nova diretoria de futebol e a primeira entrevista do técnico escolhido — ali estará a resposta se o São Paulo finalmente mudou de era ou apenas trocou de personagens.
