O dólar fechou a R$ 5,451 — queda de 0,64% — enquanto o Ibovespa saltou 1,23% e recuperou os 167 mil pontos, encerrando uma sequência de seis pregões no vermelho. O gatilho veio de fora: a vitória democrata nas legislativas dos EUA enfraqueceu a moeda americana globalmente. Mas o alívio durou pouco.
O mercado encerrou o dia antes do anúncio do Copom, que manteve a Selic em 13,75% ao ano. A decisão, já precificada, tira o foco dos juros e joga a atenção para o fiscal. E é aí que mora o perigo para quem opera câmbio ou ações no Brasil.
Por que o exterior ditou o ritmo hoje
O índice DXY, que mede o dólar frente a uma cesta de moedas fortes, recuou 0,2% para 101,52 pontos. Os rendimentos dos Treasuries caíram, tirando pressão sobre emergentes. Com democratas no controle do Senado e da Câmara, o risco de mudanças bruscas na política econômica americana diminuiu — pelo menos no curto prazo.
O real surfou essa onda, mas com freio de mão puxado. A moeda chegou a R$ 5,498 na máxima do dia, por volta das 13h30, antes de firmar território negativo na tarde. Investidores estrangeiros compraram, mas o volume segue contido.
- Dólar à vista: R$ 5,451 (-0,64%)
- Ibovespa: 167.563,47 pts (+1,23%)
- DXY: 101,520 pts (-0,2%)
- Brent: US$ 94,62 (-8,67%)
Bolsa sobe, mas Petrobras segura o ímpeto
O Ibovespa bateu 167.986 pontos na máxima intradiária, impulsionado por bancos, Vale e papéis sensíveis a juros. O setor financeiro liderou os ganhos, apostando que a manutenção da Selic não traz surpresas — e que o ciclo de alta pode estar no fim.
Na contramão, Petrobras (PETR3; PETR4) afundou junto com o petróleo. O Brent para janeiro despencou 8,67%, a maior queda diária em meses, corroendo o valor de mercado da estatal e limitando o avanço do índice. Sem a petroleira, a alta teria sido mais expressiva.
O que o Copom não disse — e o mercado já sabe
A decisão de manter a taxa em 13,75% era consenso. O comunicado, porém, será dissecado nas próximas horas em busca de sinais sobre o início do ciclo de cortes. A inflação corrente cede, mas as expectativas para 2024 e 2025 ainda rondam a meta — e o fiscal segue como variável selvagem.
O governo eleito ainda não apresentou seu arcabouço fiscal definitivo. Enquanto não houver clareza sobre regras de gasto, meta de primário e trajetória da dívida, o prêmio de risco embutido no câmbio e nos juros longos tende a persistir. Isso explica por que o dólar não furou R$ 5,40 mesmo com o exterior favorável.
Cenários para os próximos pregões
Três vetores vão ditar o ritmo daqui para frente:
- Fiscal brasileiro: anúncio do novo arcabouço e reação do Congresso.
- Inflação nos EUA: CPI de novembro (dia 12) e reunião do Fed em dezembro.
- Petróleo: encontro da OPEP+ e dados de estoques americanos.
Se o fiscal decepcionar, o dólar retoma R$ 5,60 com facilidade. Se o arcabouço for crível e o Fed sinalizar pausa, há espaço para testar R$ 5,20 ainda este ano. A Bolsa, por sua vez, depende do fluxo externo: novembro costuma trazer ingresso de recursos para emergentes, mas o Brasil precisa parar de sangrar credibilidade.
O que observar daqui para frente
Agenda da semana: ata do Copom (terça), IPCA-15 (quarta) e discurso de dirigentes do Fed. No plano doméstico, cada sinal do Ministério da Fazenda sobre regras fiscais move o mercado mais que qualquer dado externo. Quem opera câmbio ou ações deve manter stops curtos e posição dimensionada — a volatilidade continua sendo a única certeza.
