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Onda azul varre EUA: Musk perde US$ 500 mi e Texas vira azul após 36 anos

Mapa dos EUA com onda azul democrata cobrindo Texas, simbolizando vitória nas eleições de meio de mandato 2026
Onda azul democrata varre EUA em 2026: Texas vira azul após 36 anos e Musk perde US$ 500 milhões

Os democratas assumiram o controle total do Congresso nas eleições de meio de mandato de 2026, impondo a primeira derrota legislativa completa a Donald Trump desde 2006. O partido conquistou 228 cadeiras na Câmara e 54 no Senado, revertendo sete assentos republicanos em estados-chave. Mas o choque real veio do Texas.

O estado mais conservador do país elegeu sua primeira governadora latina e enviou um democrata ao Senado após 36 anos de jejum. Enquanto isso, o maior doador individual da história recente viu meio bilhão de dólares evaporarem nas urnas.

O xeque-mate no tabuleiro texano

Gina Hinojosa derrotou Greg Abbott com 57,1% dos votos, encerrando quase quatro décadas de hegemonia republicana no governo estadual. Ex-deputada estadual desde 2016, ela se torna a primeira mulher latina a comandar a segunda maior economia dos EUA.

No Senado, James Talarico superou Ken Paxton por 55,1% a 44,9%. O republicano contava com US$ 158 milhões do bolso de Elon Musk — a maior injeção direta em uma única campanha neste ciclo. Talarico, evangélico e ex-seminarista, centrou o discurso no custo de vida e na crítica ao que chamou de “nacionalismo cristão” de Trump.

O recado das urnas ecoa além das fronteiras do Texas. Dois redutos republicanos históricos caíram na mesma noite.

Kansas e Maine: hegemonias de 94 e 29 anos desmoronam

No Kansas, Adam Hamilton, pastor metodista, venceu Roger Marshall com 50,9% dos votos. Foi o primeiro senador democrata eleito pelo estado desde 1932 — um jejum de 94 anos.

No Maine, Troy Jackson derrubou Susan Collins, que ocupava o assento desde 1997 e tentava se vender como voz moderada. Com 53,8%, Jackson explorou o desgaste da senadora por apoiar a maioria dos projetos da Casa Branca.

Sete assentos viraram azul no Senado. A Câmara viu renovação total com maioria democrata confortável. Pela primeira vez em duas décadas, as duas Casas mudam de controle na mesma eleição de meio de mandato.

O prejuízo de Musk e o futuro dos data centers

Elon Musk investiu quase US$ 500 milhões em candidaturas republicanas, tornando-se o maior doador individual desde 2010. Desse total, US$ 158 milhões foram para Paxton no Texas. O retorno? Zero cadeiras conquistadas nos principais alvos.

O interesse do bilionário ia além da ideologia. O Texas planeja pelo menos 248 data centers para inteligência artificial, muitos ligados às empresas de Musk. A nova governadora já sinalizou: obras só avançam se as companhias assumirem os custos energéticos.

Além do revés financeiro, Musk entra no radar de investigações parlamentares. A nova maioria democrata tem poder de convocação, subpoena e agenda de comissões. Ele ironizou nas redes: “data centers no espaço parecem atraentes agora”.

Onde a onda não chegou: Flórida e Arkansas

Nem todo o mapa virou azul. Na Flórida, Byron Donalds manteve o governo com 50,0% contra 48,7% de David Jolly — margem de 1,3 ponto percentual. No Arkansas, Tom Cotton se reelegeu ao Senado com 54,3%.

Democratas apostavam que a política imigratória de Trump e as ações do ICE mobilizariam o eleitorado latino na Flórida. A conta não fechou. O voto hispânico, decisivo em 2024, não se traduziu em virada estadual.

O que observar nos próximos dois anos

Com 54 senadores e 228 deputados, democratas controlam a pauta legislativa, nomeações e comissões de investigação. Trump já publicou a palavra “veto” nas redes — sinal de que usará o poder executivo para contornar o Congresso.

Três frentes merecem atenção imediata: a regulamentação de data centers e infraestrutura de IA no Texas, o ritmo de nomeações judiciais e executivas barradas no Senado, e o desenho das primeiras investigações formais sobre a gestão federal. O xadrez mudou. A partida recomeça em janeiro.