Recife viveu um sábado (24) de ruas tomadas por duas forças políticas que não se cruzam — mas disputam o mesmo eleitorado. De um lado, atos pela reeleição do presidente Lula (PT). Do outro, carreata pró-Flávio Bolsonaro (PL), também na corrida presidencial. O segundo turno de 2026 começa amanhã, e a capital pernambucana antecipou o termômetro.
A manhã foi da direita: carreata da Zona Norte à Zona Sul
O primeiro movimento saiu cedo do Parque da Macaxeira. Carros, motos e bandeiras do Brasil cortaram a cidade até a Avenida Boa Viagem. O trajeto ligou extremos geográficos e simbólicos: da periferia nobre à orla de classe média alta. Parlamentares estaduais e federais do PL puxaram a fila. Não houve discurso formal — a presença era a mensagem.
A tarde virou vermelha: três atos, um só destino
Depois do almoço, o Centro virou palco. Três manifestações distintas confluíram para o mesmo ponto: o Marco Zero.
- “Bota pra virar” — movimentos sociais e estudantis saíram da Praça do Derby em caminhada até o Bairro do Recife.
- “Cultura com Lula” — artistas e trabalhadores da cultura esperavam na Avenida Marquês de Olinda.
- A junção das duas formou a terceira onda, seguindo junta até o marco zero da cidade.
Números que a TV não mostra
A organização não divulgou estimativas oficiais. A Polícia Militar também não. Mas imagens aéreas mostram: a carreata ocupou duas faixas da Avenida Cruz Cabugá por quase 40 minutos. Já a caminhada do Derby ao Marco Zero — cerca de 3,5 km — levou mais de uma hora para passar totalmente. O público dos atos lulistas misturou sindicatos, coletivos de juventude, batuqueiros e famílias com crianças no colo.
O que separa — e o que une — as duas ruas
Discursos diferentes, ritmos diferentes. A carreata foi buzina, adesivo, velocidade. Os atos do Centro foram fala, canto, pausa. Mas ambas usaram o mesmo símbolo: a bandeira nacional. E ambas escolheram o sábado, véspera de urna, para ocupar o espaço público. Não é coincidência. É estratégia.
O que observar daqui pra frente
Pernambuco costuma ditar o ritmo do Nordeste. Se a margem de Lula no estado cair abaixo de 60%, a campanha nacional acende alerta. Se Flávio Bolsonaro superar 35% no Recife, a direita comemora como vitória simbólica. O dado real sai domingo à noite. Até lá, as ruas já deram o recado: a disputa não está decidida — e nem será por falta de mobilização.
