Pesquisa Datafolha divulgada neste sábado (24) coloca Flávio Bolsonaro (PL) com 51% dos votos válidos contra 49% de Lula (PT), configurando empate técnico dentro da margem de erro de dois pontos. A diferença mínima, porém, esconde uma dinâmica perigosa para ambos os lados quando o comparecimento às urnas entra na equação.
O retrato numérico da véspera
O levantamento ouviu 4.050 eleitores nos dias 23 e 24 de outubro, com registro no TSE sob o número BR-09540/2026. No cenário de votos totais — que inclui brancos, nulos e indecisos —, a disputa segue acirrada: Flávio Bolsonaro marca 48%, Lula 47%, enquanto 3% declaram voto em branco ou nulo e 2% permanecem indecisos.
Na modalidade espontânea, onde o nome dos candidatos não é apresentado, a consolidação aparece clara: Flávio Bolsonaro oscila de 46% para 47%, e Lula mantém 45%. A soma de indecisos e brancos/nulos recua ligeiramente, sinalizando que o eleitorado já fez sua escolha.
O fator abstenção: onde a eleição será decidida
Pela primeira vez, o instituto divulga um modelo estatístico que ajusta a intenção de voto pela propensão real de comparecimento. O resultado racha o eleitorado em dois mundos opostos:
- Alta propensão (76% dos entrevistados): eleitores que moram perto da seção e votaram no 1º turno. Aqui, Flávio Bolsonaro abre 52% a 48%.
- Baixa ou média propensão (24%): quem faltou no 1º turno, vota longe de casa ou reúne as duas condições. Neste grupo, Lula inverte e lidera com 52% a 48%.
Ou seja, a vitória depende quase exclusivamente de qual lado conseguir levar seu eleitor à urna no domingo.
Voto consolidado e motivações distintas
A solidez das escolhas impressiona: 95% dos entrevistados afirmam estar totalmente decididos. No eleitorado de Lula, o índice sobe para 96%; no de Flávio Bolsonaro, fica em 95%. A margem para migração de votos é, portanto, residual.
A razão do voto revela perfis opostos. Entre os que escolhem Flávio Bolsonaro, 67% o fazem por considerá-lo a melhor opção e 21% movidos pela rejeição ao adversário. No campo de Lula, o voto de convicção domina com 82%, enquanto apenas 10% votam para derrotar o oponente.
Rejeição simétrica e o efeito do debate
Os índices de rejeição espelham a polarização: Flávio Bolsonaro é rejeitado por 45%, Lula por 46%. Apenas 2% rejeitam ambos e 6% não rejeitam nenhum.
O debate da Globo na sexta-feira (23) não moveu a agulha. A avaliação de quem se saiu melhor terminou em empate técnico: 36% para cada lado. Entre os que assistiram (54% do total), 98% garantem não ter mudado o voto após o confronto.
O que observar nas próximas horas
A logística do dia 30 será o fiel da balança. O segmento de alta propensão — favorável a Flávio Bolsonaro — já demonstra comportamento de comparecimento. O desafio da campanha de Lula é converter os 24% de baixa propensão, que lhe são favoráveis, em votos na urna. Qualquer variação no clima, transporte ou mobilização de última hora tem potencial para deslocar o resultado final para fora da margem de erro.
