Meio Ambiente

Brasil corta emissões em 25% e se aproxima da meta climática de 2025; energia e agro freiam avanço

Gráfico mostra queda de 25% nas emissões do Brasil em 2025, com floresta amazônica e usinas ao fundo
Brasil reduz emissões em 25% e se aproxima da meta climática de 2025, mas energia e agro freiam progresso

O Brasil encerrou 2025 com 1,41 bilhão de toneladas líquidas de CO₂ equivalente — o menor patamar desde 2012. A queda de 9% em um ano coloca o país a apenas 85 milhões de toneladas da meta oficial, mas esconde um alerta: fora do desmatamento, os demais setores mal se mexeram.

Os dados da 14ª edição do SEEG, divulgados pelo Observatório do Clima, mostram que as emissões brutas recuaram 6%, para 2,06 GtCO₂e, o nível mais baixo desde 2018. Em quatro anos, o corte acumulado chega a um quarto do total. O contraste com a década anterior é duro: entre 2009 e 2021, as emissões haviam crescido dois terços.

O motor da queda: desmatamento em queda livre

A mudança de uso da terra — nome técnico para desmatamento — respondeu por 814 MtCO₂e em 2025, queda de 15% no brutto e de 48% no líquido (162 MtCO₂e). É o menor valor da série histórica para o setor. A vegetação secundária e as áreas protegidas ampliaram a remoção de carbono, puxando o saldo líquido para baixo.

Mas a dependência é perigosa. Sozinho, o setor ainda representa 39% de tudo o que o país emite. Some a agropecuária direta (30%) e a conta fecha em 69% concentrados no campo.

Energia, indústria e resíduos: o lado que não anda

  • Energia: +1,2% (422 → 427 MtCO₂e) — 21% do total
  • Agropecuária: -0,1% (626 MtCO₂e) — estabilidade técnica
  • Processos industriais: +0,2% (94 MtCO₂e)
  • Resíduos: +3,6% (92 → 96 MtCO₂e) — maior alta relativa

Enquanto o desmatamento cai, a economia real segue emitindo no mesmo ritmo — ou acelerando. O setor de resíduos, muitas vezes ignorado, foi o que mais cresceu percentualmente.

A conta de 2025 e o abismo de 2030

A primeira NDC (2015) previa teto de 1,32 GtCO₂e para 2025. Faltaram 85 MtCO₂e. Segundo David Tsai, coordenador do SEEG, 2026 deve ficar entre a meta de 2025 e a de 2030 — esta última, mais ambiciosa, fixa faixa entre 850 MtCO₂e e 1,05 GtCO₂e.

Dados preliminares já indicam emissão líquida negativa por desmatamento em 2026 (menos 24 MtCO₂e). Se confirmado, o Brasil bate a meta de 2025 com folga. O problema é o passo seguinte.

O que observar daqui para frente

Sem redução estrutural em energia, indústria, agro e resíduos, a curva de emissões volta a subir assim que o “bônus” do desmatamento se esgotar. A meta de 2030 exige corte adicional de 360 a 560 MtCO₂e em quatro anos — ritmo que o país nunca sustentou sem a alavanca florestal. Para investidores e gestores, o sinal é claro: a próxima onda de oportunidades e riscos regulatórios está nos setores que até agora ficaram parados.