Economia

Você não vai acreditar: salários de até R$ 93,5 mil em 2027

Gráfico de projeção salarial 2027 mostra executivos com salários até R$ 93,5 mil
Pesquisa Robert Half projeta salários iniciais de até R$ 93.550 para cargos executivos em 2027.

Uma pesquisa da Robert Half projeta salários iniciais de até R$ 93.550 mensais para cargos executivos em 2027. Mas quais profissões lideram esse ranking e quais habilidades vão separar os mais bem pagos do restante do mercado?

O levantamento, baseado em 450 cargos e ouvindo 1.500 profissionais e gestores em junho de 2026, revela um cenário onde a combinação de expertise técnica, domínio de inteligência artificial e visão de negócios dita a remuneração. Os valores consideram apenas a base salarial, sem bônus ou benefícios.

O topo da pirâmide: executivos do mercado financeiro

Os dez cargos mais bem pagos são dominados por posições de liderança em finanças e mercado de capitais. O diretor financeiro (CFO) de grandes empresas encabeça a lista com R$ 93.550, seguido por Sales Trader e CFO do mercado financeiro, ambos acima de R$ 85 mil.

Confira o top 10 executivo:

  • Diretor financeiro (CFO) – Finanças e Contabilidade (grandes empresas): até R$ 93.550
  • Sales Trader – Diretor Executivo: até R$ 90.050
  • Diretor-geral de Finanças (CFO) – Mercado Financeiro: até R$ 85.250
  • Gerente-geral – Vendas e Marketing (grandes empresas): até R$ 85.000
  • Trader – Diretor Executivo: até R$ 84.600
  • Diretor executivo de ECM/DCM/Project Finance: até R$ 81.700
  • Diretor executivo de Fusões e Aquisições (M&A): até R$ 80.650
  • Chief Data Officer (CDO) – Seguros: até R$ 72.000
  • Diretor financeiro (CFO) – Seguros: até R$ 66.150
  • Diretor comercial – Vendas e Marketing (grandes empresas): até R$ 62.100

Mas o efeito mais relevante aparece fora da diretoria.

Tecnologia e IA: a nova elite salarial não executiva

Entre os cargos não executivos, o mercado financeiro ainda lidera, mas a tecnologia avança com força. Engenheiro de inteligência artificial e engenheiro de prompt surgem com remunerações próximas a R$ 28 mil, superando arquitetos de software e cientistas de dados.

Veja os dez maiores salários para especialistas:

  • Gestor de renda variável: até R$ 45.300
  • Gestor de renda fixa: até R$ 43.500
  • Associate de M&A: até R$ 35.550
  • Associate de Crédito e Risco: até R$ 34.350
  • Associate de ECM/DCM/Project Finance: até R$ 30.200
  • Engenheiro de inteligência artificial: até R$ 28.200
  • Analista DevSecOps: até R$ 27.350
  • Engenheiro de prompt: até R$ 27.150
  • Arquiteto de software: até R$ 26.950
  • Especialista ou cientista de dados: até R$ 25.600

O dado que chama atenção: 41% dos empregadores já pagam prêmio para profissionais com experiência em IA generativa, e 53% dos gestores de TI oferecem salários acima do planejado para fechar contratações.

Além do técnico: o que realmente impulsiona o contracheque

A pesquisa mostra que competências comportamentais e transversais pesam tanto quanto hard skills. Análise de dados, aplicação prática de IA, fluência em idiomas, pensamento analítico, visão de negócios e comunicação aparecem em todas as oito áreas mapeadas como multiplicadores de valor.

Por setor, as demandas específicas revelam onde o mercado está apostando:

  • Finanças e Contabilidade: reforma tributária, IFRS, ferramentas de BI e FP&A.
  • Tecnologia: cibersegurança, IA agêntica, engenharia de dados e automações.
  • Vendas e Marketing: CRM, marketing de performance, IA para vendas e gestão de produtos.
  • Engenharia: NLP, LLMs, big data e melhoria contínua.
  • Jurídico: IA generativa para contratos e pesquisa, compliance.
  • Recursos Humanos: people analytics, IA em RH, saúde mental (NR-1) e experiência do colaborador.
  • Mercado Financeiro: precificação quantitativa, compliance regulatório (Bacen/CVM), analytics.
  • Seguros: modelagem de riscos catastróficos, cibersegurança, IA aplicada.

Essa transversalidade indica que o profissional “híbrido” — que traduz dados em decisão estratégica — será o mais disputado.

Benefícios que decidem a permanência

Em um cenário de escassez de talentos, o pacote de benefícios virou diferencial competitivo. Flexibilidade de horário, modelo híbrido, programas de saúde mental e bem-estar deixaram de ser “extras” para serem fatores de retenção. Empresas que não atualizarem suas propostas correm risco de perder especialistas para concorrentes mais ágeis.

O que observar daqui para frente

As projeções para 2027 sinalizam três movimentos práticos: (1) a aceleração da premiação por habilidades em IA generativa e análise de dados em qualquer área; (2) a valorização de perfis que unem profundidade técnica a visão de negócio e comunicação executiva; (3) a pressão por pacotes de benefícios flexíveis e focados em saúde mental como padrão de mercado. Para empresas, o desafio é estruturar planos de carreira e remuneração variável que acompanhem essa velocidade. Para profissionais, a aposta segura é investir na tríade: domínio de ferramentas de IA, capacidade de transformar dados em decisões e fluência em comunicar o valor gerado.