Economia

DIs caem forte: o que o mercado sabe sobre a eleição que você não sabe…

Gráfico de taxas DI futuras caindo com destaque para vértices 2028 e 2035 após pesquisas eleitorais
Taxas DI de longo prazo recuam forte com pesquisas mostrando Flávio Bolsonaro à frente de Lula.

As taxas dos Depósitos Interfinanceiros (DIs) recuaram com força nesta terça-feira, puxadas pelos contratos de prazo mais longo. O gatilho principal: pesquisas recentes mostram Flávio Bolsonaro (PL) mantendo vantagem numérica sobre Lula (PT) na disputa pelo Planalto.

Às 10h20, o DI para janeiro de 2028 caía 12 pontos-base, para 12,765%. No vértice de 2035, a queda chegou a 16 pontos-base, levando a taxa a 12,74%. O movimento caminhou em sintonia com o exterior, onde o Treasury de 10 anos — referência global para alocação de risco — cedia 3 pontos-base, a 5,106%.

Por que a ponta longa reagiu mais

Dois profissionais ouvidos pela Reuters nesta manhã vincularam o alívio nas taxas diretamente ao cenário eleitoral. A leitura predominante nas mesas de operação: com Flávio à frente nas intenções de voto, cresce a aposta em maior rigidez fiscal a partir de 2025.

O levantamento Real Time Big Data mais recente aponta 52% dos votos válidos para o senador contra 48% para o presidente no segundo turno. A diferença de quatro pontos está no limite da margem de erro — dois pontos percentuais para cada lado —, o que mantém a disputa tecnicamente aberta.

O que o debate de domingo mudou na equação

Além dos números, agentes financeiros avaliam que o embate na Band não foi negativo para Flávio. A percepção é que a trajetória de queda nas intenções de voto do senador pode ter estancado, o que retira prêmio de risco justamente nos vértices longos da curva — os mais sensíveis à trajetória da dívida pública.

Vale registrar: nem o candidato nem seus porta-vozes econômicos apresentaram, até aqui, propostas concretas de ajuste fiscal. A aposta do mercado baseia-se em expectativa de postura, não em plano detalhado.

Selic: o que vem por aí após o segundo turno

Enquanto o país caminha para a votação de domingo, o mercado já precifica os próximos passos do Copom. A expectativa majoritária aponta para corte de 25 pontos-base na reunião de novembro — primeira após o segundo turno —, levando a Selic dos atuais 13,75% para 13,50% ao ano.

  • Reunião de novembro: 79% de chance de corte de 25 pb; 17% de manutenção; 1,5% de corte de 50 pb
  • Reunião de dezembro: 49% de corte de 25 pb; 27% de manutenção; 15% de corte de 50 pb

Os dados, extraídos da precificação de opções de Copom na B3 na última sexta-feira, mostram que a probabilidade de manutenção em dezembro ainda é relevante — 27%. O cenário segue fluido e dependerá, em grande medida, do resultado das urnas e da sinalização fiscal inicial do novo governo.

O que observar daqui para frente

O segundo turno no domingo será o divisor de águas imediato. Uma vitória de Flávio tende a manter a pressão vendedora nas taxas longas, ao menos nas primeiras sessões. Se Lula reverter a desvantagem, o prêmio de risco fiscal deve voltar à curva com força, especialmente nos vértices acima de 2028.

Além do resultado nas urnas, três variáveis merecem radar apertado nas próximas semanas: a composição do futuro ministério da Fazenda, o desenho do novo arcabouço fiscal que substituirá o teto de gastos e a reação do câmbio nas primeiras sessões pós-eleição. O mercado precificou a expectativa; agora aguarda a confirmação — ou a surpresa.