Meio Ambiente

O segredo da planta que pode substituir o mercúrio no garimpo amazônico

O candidato ao governo do Amazonas, Omar Aziz (PSD), apresentou uma proposta que pode transformar a mineração na região: uma planta nativa capaz de separar ouro do minério sem contaminar os rios. A revelação ocorreu durante agenda de campanha em Manaus nesta terça-feira (20), enquanto o segundo turno se aproxima.

Aziz lidera a disputa com 40,63% dos votos válidos — 841.846 eleitores — contra 24,49% da adversária Professora Maria do Carmo. A votação final está marcada para 25 de outubro.

O problema dos números

Dados de uma publicação científica mostram um cenário alarmante: 77% do garimpo no Brasil opera fora da lei, sem licença ambiental e sem controle. No Amazonas, a atividade ilegal avança sobre territórios indígenas e unidades de conservação, deixando um rastro de mercúrio nos cursos d’água.

O metal pesado bioacumula na cadeia alimentar. Chega aos peixes, às comunidades ribeirinhas e, por fim, às mesas das cidades. O custo ambiental e humano é incalculável.

A alternativa que vem da floresta

Durante a gravação de programas eleitorais, Aziz detalhou a solução que defende: o pau-de-balsa. Segundo o candidato, estudos indicam que a planta tem o mesmo efeito do mercúrio na separação do ferro do ouro — mas sem poluir.

  • Princípio ativo: substâncias da planta agem como surfactantes naturais
  • Vantagem: não gera resíduo tóxico persistente no ambiente
  • Origem: espécie nativa da Amazônia, adaptada ao bioma
  • Potencial: pode ser cultivada em escala por comunidades locais

Mas o efeito mais relevante aparece na economia da legalização.

Mineração sustentável: o que muda na prática

A proposta de Aziz articula três eixos: regularização fundiária, critérios ambientais rigorosos e tecnologia limpa. Não se trata de liberar o garimpo — e sim de tirar da ilegalidade quem quer operar dentro da lei, oferecendo ferramentas para isso.

Hoje, o garimpeiro que tenta se regularizar esbarra em burocracia, custos proibitivos e ausência de alternativas técnicas. O mercúrio é barato, acessível e conhecido. Substituí-lo exige ciência, extensão rural e crédito.

O candidato, que cumpre segundo mandato como senador, afirmou que o Amazonas é “muito rico em minério” e que a riqueza pode gerar desenvolvimento se extraída com responsabilidade.

O que observar daqui para frente

Se eleito, Aziz terá de transformar a proposta de laboratório em política pública. Isso significa: validar o pau-de-balsa em escala piloto, criar linhas de financiamento para garimpeiros que aderirem à transição, e fiscalizar quem insistir no mercúrio.

O segundo turno decide não apenas quem governa o estado — mas se a maior floresta tropical do mundo ganha uma ferramenta a mais contra seu veneno mais persistente.