Economia

Randoncorp salta 3,3% em setembro: o detalhe no acumulado que preocupa investidores…

Gráfico mostra alta de 3,3% em setembro e estagnação de 0,4% no acumulado da Randoncorp
Randoncorp sobe 3,3% em setembro, mas acumula apenas 0,4% no ano, preocupando investidores.

A Randoncorp fechou setembro com receita líquida consolidada de R$ 1,13 bilhão, alta de 3,3% frente a 2023. O número anima, mas esconde uma disparidade crucial no acumulado do ano.

Nos nove primeiros meses, o faturamento mal saiu do lugar: avanço de apenas 0,4%, totalizando R$ 9,93 bilhões. Afinal, o que explica esse descompasso entre o mês e o ano?

O mês forte mascara o ano fraco

O resultado de setembro veio acima da média mensal necessária para manter o ritmo anual. A fabricante de implementos rodoviários e autopeças aproveitou uma base de comparação mais favorável no nono mês de 2023.

Contudo, a expansão acumulada de míseros 0,4% revela que a recuperação segue travada. Para o investidor, o sinal é claro: a volatilidade mensal esconde a dificuldade estrutural de crescer de forma sustentada.

Frasle Mobility puxa fila, mas ritmo segue lento

A controlada Frasle Mobility registrou alta de 1,6% no período, contribuindo para o consolidado positivo. Ainda assim, a divisão de autopeças não conseguiu compensar a estagnação vista nos segmentos de implementos e serviços financeiros ao longo dos trimestres anteriores.

Confira os números-chave da divulgação desta terça-feira (20):

  • Receita consolidada (set/24): R$ 1,13 bi (+3,3% a/a)
  • Acumulado 2024 (jan-set): R$ 9,93 bi (+0,4% a/a)
  • Frasle Mobility (set/24): +1,6% a/a

Por que o acumulado não decola?

A resposta passa por três vetores que pressionam o setor desde o início do ano. O primeiro é o ciclo do agronegócio: a safra recorde de 2023 antecipou compras, esvaziando a demanda por implementos em 2024.

O segundo fator é o custo do capital. Com a Selic em patamar restritivo até meados do ano, o financiamento de frotas novas perdeu atratividade. Por fim, a renovação de frota pesada segue abaixo do potencial, travada pela incerteza macroeconômica.

O que observar daqui para frente

O último trimestre costuma ser sazonalmente mais forte para implementos, impulsionado pela entrega de safra e renovação de frota para o ano seguinte. Se a taxa de juros iniciar ciclo de queda efetivo, o financiamento pode destravar pedidos represados.

Outro termômetro será a exposição da empresa no agronegócio versus o mercado de reposição. A diversificação da Frasle tem amortecido quedas, mas o peso dos implementos no faturamento total ainda dita o ritmo da holding. O mercado precificou a estagnação ou ainda aposta em virada no 4T4?