A Sasazaki, referência nacional em esquadrias metálicas há mais de oito décadas, encerrou definitivamente a produção em sua unidade de Marília (SP) e demitiu cerca de 60 funcionários. O fechamento foi confirmado pelo sindicato da categoria nesta segunda-feira (28), selando o destino de uma empresa que já chegou a empregar 600 pessoas na região.
Mas o que levou um gigante do setor de construção civil a apagar as luzes depois de 81 anos de história? A resposta passa por uma combinação de dívidas milionárias, queda nas vendas e tentativas frustradas de recuperação.
O colapso financeiro em números
A crise não chegou da noite para o dia. Desde 2019, a fábrica vinha encolhendo progressivamente o quadro de pessoal. Naquele ano, eram 600 colaboradores; uma leva de 200 demissões foi anunciada sob a justificativa de adequação ao cenário econômico e retração do mercado imobiliário.
O golpe mais duro veio em outubro de 2023: a produção foi suspensa por completo. Meses depois, em 2024, a empresa protocolou pedido de recuperação judicial revelando um passivo estimado em R$ 35 milhões.
- 1943: Fundação pelos irmãos Kosaku e Yusaburo Sasazaki
- 2019: Quadro de 600 funcionários; 200 demissões
- Out/2023: Produção suspensa
- 2024: Recuperação judicial (dívida ~R$ 35 mi)
- 28/10/2024: Encerramento definitivo e 60 demissões
Do lampião à liderança nacional
A trajetória da marca confunde-se com a industrialização do interior paulista. No início, a produção era artesanal: lamparinas. Depois, equipamentos agrícolas. Foi no segmento de construção civil, porém, que a Sasazaki encontrou seu lugar ao sol, tornando-se uma das principais fabricantes de portas e janelas de aço e alumínio do país.
Por décadas, a fábrica de Marília foi sinônimo de estabilidade e geração de renda para centenas de famílias. O fechamento, portanto, reverbera muito além dos números frios de um balanço patrimonial.
O impacto direto na economia local
Marília perde um empregador histórico e a arrecadação tributária que o acompanhava. Para os 60 trabalhadores desligados agora, a incerteza é imediata: recolocação em um mercado que ainda sente os efeitos de juros altos e crédito restrito para o setor imobiliário.
O sindicato informou que acompanha o processo de rescisão e verifica se todos os direitos trabalhistas serão quitados dentro dos prazos legais. A empresa não respondeu aos pedidos de posicionamento até o fechamento desta reportagem.
O que observar daqui para frente
O processo de recuperação judicial segue em tramitação. Credores — entre bancos, fornecedores e ex-funcionários — terão de negociar um plano de pagamento viável. Para o mercado de esquadrias, a saída da Sasazaki abre espaço para concorrentes, mas também sinaliza a fragilidade de players tradicionais diante de ciclos longos de baixa na construção.
Se você atua no setor ou tem exposição a fornecedores da cadeia da construção civil, vale monitorar os desdobramentos do processo judicial e a capacidade de pagamento dos credores trabalhistas nas próximas semanas. O desfecho desse caso pode ditar o ritmo de outras reestruturações no segmento.
