A Five Founders, rede criada por ex-sócios de Méliuz, Loft e Geekie, está na reta final de seleção para montar um grupo restrito de 15 empreendedores brasileiros com foco total no mercado americano. O processo atraiu 150 candidatos dispostos a deixar o país ou expandir operações para os “States”.
Mas a entrada não é garantida: a promessa é resolver, de uma só vez, os três fantasmas que assombram quem tenta a vida nos EUA — impostos, histórico de crédito zero e burocracia imigratória.
Os quatro perfis que o grupo procura
Segundo João Vianna, um dos fundadores, os interessados não são um bloco único. Eles se encaixam em quatro perfis distintos, cada um com dores específicas:
- Expansão: Donos de negócios no Brasil que querem replicar a operação lá fora.
- Do zero: Empreendedores iniciando a empresa nos EUA e precisando resolver o visto.
- Investidor-imigrante: Quem entra via vistos de investimento (como EB-5 ou E-2).
- Capital puro: Brasileiros que só querem alocar dinheiro no mercado americano sem morar lá.
A rede atual passa de dez integrantes. A meta é fechar o ano com 15 nomes na primeira turma. Não há obrigação contratual de fechar negócios entre os membros, mas a expectativa de geração de deals é o motor silencioso do grupo.
O inimigo invisível: planejamento tributário
Para Eduardo Bontempo, outro fundador, o tema fiscal pesa mais que qualquer outro. “Fazer um bom planejamento tributário e de estruturação patrimonial é fundamental antes de tomar essa decisão”, afirma. Ele alerta: dependendo da estrutura montada, o patrimônio acumulado no Brasil pode sofrer impacto relevante logo na chegada.
A conta não fecha só no Imposto de Renda. Envolve sucessão, doações, trustes e a temida exit tax para quem entrega o green card no futuro. Errar aqui custa caro — e irreversível.
Sem histórico de crédito, sem alavancagem
O segundo muro é silencioso, mas intransponível: o credit score. Quem chega sem histórico não consegue captar recursos para alavancar o negócio como um americano nativo. Bontempo opera hoje com depósitos e leasing, mas admite que a falta de track record financeiro trava o crescimento inicial.
Some-se a isso a construção de rede de fornecedores, networking qualificado e aquisição dos primeiros clientes. O “soft landing” prometido por muitos programas de aceleração costuma ignorar essa parte operacional.
Por que o Brasil perdeu a previsibilidade
Vianna resume a motivação da fuga em uma frase: “No Brasil até o passado é incerto.” A instabilidade regulatória, as mudanças retroativas de regras e a judicialização excessiva empurram o empresário para um ambiente onde o tamanho do mercado compensa o custo de vida alto.
Bontempo reconhece a inflação americana: “O americano sente no dia a dia, na bomba, no supermercado”. Mas ele contrapõe: o país segue crescendo. O capital está mais caro, porém o mercado ficou mais seletivo — o que, na visão dele, filtra projetos ruins e valoriza ativos de qualidade, especialmente no setor imobiliário.
O que observar daqui para frente
O fechamento dessa primeira turma de 15 membros será o termômetro real da viabilidade do modelo. Se a rede conseguir gerar liquidez e parcerias entre si — sem forçar a barra —, o formato pode se tornar o novo padrão para a “internacionalização de elite” brasileira.
Fique de olho na abertura da segunda turma prevista para 2025. A tendência é que os critérios fiquem mais duros e o ticket de entrada — seja financeiro ou de reputação — suba. Para quem tem caixa e apetite de risco, a janela de “early adopter” deste clube está se fechando agora.
