A Sollar Energia, nascida em João Pinheiro (MG), acaba de entregar cinco usinas fotovoltaicas em Cristalina (GO) desenhadas para um único fim: bombear água para irrigação em larga escala. O projeto tira a energia solar do telhado e a coloca no motor da produção agrícol.
Por que isso muda a conta do produtor? Porque a irrigação costuma ser o maior vilão da fatura de energia no campo. Resolver esse ponto específico altera a economia da safra inteira.
Não é placa no telhado: é usina na beira do pivô
A abordagem foge do padrão residencial. As usinas foram dimensionadas para alimentar diretamente os conjuntos motobomba que puxam água de poços profundos e rios para os pivôs centrais. Cada quilowatt-hora gerado substitui energia de concessionária no horário de pico da irrigação — justamente quando a tarifa mais pesa.
O resultado prático: previsibilidade de custo em uma variável que antes oscilava com bandeiras tarifárias e reajustes anuais.
O método: diagnóstico antes do equipamento
A empresa não vende “kit solar”. O processo começa com três perguntas que definem a arquitetura da solução:
- Qual a vazão e a altura manométrica? Define a potência da bomba e, consequentemente, a demanda de energia.
- Qual o perfil de irrigação? Turnos diurnos, noturnos ou mistos mudam o desenho do sistema de geração e a necessidade de armazenamento.
- Qual a estrutura tarifária atual? Grupos A ou B, horários de ponta, demanda contratada — tudo entra na modelagem financeira.
Só depois o número de módulos, inversores e a topologia de conexão são definidos. No caso de Cristalina, o estudo apontou cinco pontos de conexão independentes, cada um atendendo a um setor de pivôs.
Além da geração: qualidade de energia no motor
Bombas de grande porte sofrem com harmônicas, desequilíbrio de fases e picos de partida. A Sollar incluiu no escopo a equalização da rede e filtros ativos para proteger os motores e evitar multas por fator de potência. É uma camada invisível que evita paradas não programadas e queima de equipamento — prejuízo que costuma passar despercebido no balanço da safra.
E quem não quer construir usina?
A empresa também opera com gestão de energia para clientes que preferem não imobilizar capital em ativos de geração. Nesse modelo, a Sollar assume a negociação no mercado livre, a otimização de demanda contratada e a correção de fator de potência — reduzindo a conta sem instalar um único painel na propriedade. É uma porta de entrada para quem testa a economia antes de decidir pelo investimento próprio.
Expansão além das fronteiras do município
Com sede na Rua Capitão Sancho, 596, Centro, João Pinheiro, a Sollar vem replicando a metodologia em outras regiões do Cerrado. O caso de Cristalina serve de vitrine: mostra que a energia solar deixa de ser “sustentabilidade” para virar “insumo produtivo” com payback mensurado em safras, não em anos.
O que observar daqui para frente
Três movimentos devem ditar o ritmo nos próximos ciclos: a entrada de baterias para estender a irrigação ao período noturno sem custo de ponta; a integração com sistemas de monitoramento de umidade do solo para acionamento inteligente das bombas; e a ampliação do mercado livre para consumidores de menor porte, abrindo espaço para a gestão de energia sem usina própria. Quem antecipar esses vetores transforma a conta de luz de custo fixo em variável estratégica.
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