Economia

Debate no RS: o que os 4 candidatos disseram (e o que evitaram) sobre a economia

Quatro candidatos ao governo do RS em debate na RBS TV: Gabriel Souza, Juliana Brizola, Marcelo Maranata e Zucco
Candidatos ao governo do Rio Grande do Sul participam de debate econômico na RBS TV.

Quatro candidatos ao governo do Rio Grande do Sul subiram ao palco da RBS TV na noite de terça-feira. O encontro durou cerca de duas horas e expôs diferenças nítidas sobre como cada um pretende destravar a economia gaúcha.

Gabriel Souza (MDB), Juliana Brizola (PDT), Marcelo Maranata (PSDB) e Zucco (PL) tiveram tempo igual, mas estratégias distintas. O que ficou claro: nenhum deles detalhou de onde virá o dinheiro para as promessas mais caras.

Formato forçou confrontos diretos no primeiro bloco

A mediação de Elói Zorzetto impediu discursos decorados. No bloco inicial, temas sorteados obrigaram os candidatos a saírem do script — saúde, segurança e educação apareceram antes da economia.

Zucco tentou puxar a pauta para redução de impostos estaduais já na primeira resposta. Maranata contra-atacou citando a necessidade de “revisar incentivos fiscais que não geram emprego”. Brizola e Souza preferiram citar gestões anteriores como vitrine.

Segundo bloco: o embate que o setor produtivo esperava

Quando o tema livre chegou, a discussão migrou para ICMS, dívida com a União e atração de investimentos. Foi o momento de maior tensão.

  • Souza defendeu manutenção do regime de recuperação fiscal e parcerias público-privadas em infraestrutura.
  • Brizola propôs auditoria nos incentivos e prioridade para pequenas indústrias e cooperativas.
  • Maranata insistiu em simplificação tributária estadual e fim da “guerra fiscal” entre municípios.
  • Zucco prometeu reduzir alíquotas do ICMS na energia e combustíveis no primeiro ano.

Nenhum apresentou projeção de receita para compensar as perdas arrecadatórias.

Terceiro bloco: propostas sociais mascaram custo fiscal

Educação integral, ampliação de leitos hospitalares e programas de renda mínima dominaram. Todos concordaram com a urgência, mas divergiram no “como”.

Souza citou recursos do Fundeb e emendas parlamentares. Brizola mencionou taxação de grandes fortunas — bandeira nacional do PDT, mas de execução estadual incerta. Maranata falou em “eficiência de gestão” sem especificar cortes. Zucco reiterou que “o Estado gasta mal” e prometeu enxugar a máquina.

Último bloco e considerações finais: o recado para o eleitor indeciso

O sorteio de temas no quarto bloco trouxe meio ambiente e desenvolvimento regional. Aqui, as diferenças ideológicas ficaram expostas sem mediação.

Nas considerações finais, cada candidato teve 90 segundos. Souza usou tom de continuidade. Brizola apelou para memória afetiva do trabalhismo. Maranata tentou se posicionar como “terceira via técnica”. Zucco fechou com discurso anticorrupção e liberdade econômica.

O que observar nos próximos 30 dias

A campanha entra na reta final com três variáveis decisivas:

  • Sabatinas setoriais: Fiergs, Fetag e OAB-RS ainda promovem encontros com perguntas técnicas.
  • Horário eleitoral gratuito: começa em 30 de agosto; o tempo de TV favorece Souza (coligação ampla) e Brizola (federação PDT).
  • Pesquisas qualitativas: o debate pode ter movido eleitores indecisos nas regiões metropolitanas e na fronteira oeste — onde a abstenção costuma decidir.

Para o empresariado gaúcho, a leitura prática é simples: nenhum candidato apresentou plano de transição fiscal crível. Quem assumir em 2025 herdará caixa pressionado, dívida renegociada e pressão por serviços. O próximo governador terá de escolher entre manter o ajuste ou romper o acordo com a União — e arcar com as consequências jurídicas e políticas.