Educação

USP entra no top 150 mundial pela 1ª vez; veja o ranking completo das brasileiras

Campus da USP com destaque para posição 141 no ranking mundial Times Higher Education 2027
USP alcança 141ª posição no THE World Ranking 2027, melhor resultado histórico do Brasil.

A Universidade de São Paulo cravou a 141ª posição no Times Higher Education World Ranking 2027 — o melhor resultado de uma instituição brasileira em toda a história da lista. Pela primeira vez, uma universidade do país figura entre as 150 melhores do planeta.

O avanço não é isolado. Outras cinco universidades nacionais subiram de faixa, sinalizando um movimento sistêmico que vai além de um único campus. O que explica esse salto agora?

O que mudou na metodologia deste ano

A edição 2027 do THE trouxe ajustes no peso dos indicadores. A influência de citações de pesquisa passou de 30% para 36%, enquanto reputação acadêmica caiu de 18% para 15%. Internacionalização e transferência de conhecimento ganharam relevância.

Essa reconfiguração beneficiou instituições com forte produção científica em inglês e redes de colaboração global — exatamente o perfil das líderes brasileiras.

As seis brasileiras que avançaram

  • USP: 141ª (subiu 42 posições)
  • Unicamp: faixa 201–250 (antes 251–300)
  • UFRJ: faixa 301–350 (antes 351–400)
  • UFRGS: faixa 351–400 (antes 401–500)
  • Unesp: faixa 401–500 (antes 501–600)
  • UFMG: faixa 501–600 (estreia no ranking principal)

Juntas, elas concentram mais de 40% da produção científica indexada do país. O movimento sugere que políticas de incentivo à publicação internacional e parcerias interinstitucionais começam a gerar métricas comparáveis.

Impacto direto para captação de recursos e talentos

Posicionamento no top 150 abre portas para editais internacionais que exigem ranqueamento mínimo. Fundos europeus como Horizon Europe e programas da CAPES com contrapartes estrangeiras usam o THE como filtro inicial.

Para pesquisadores em início de carreira, a visibilidade altera a equação de escolha: pós-doutorados no exterior passam a considerar laboratórios brasileiros com mais seriedade. O ciclo de retenção de talentos, historicamente frágil, ganha um argumento quantitativo.

O gargalo que o ranking não mostra

O THE avalia output, não input. Orçamento per capita das seis universidades avançadas permanece entre 1/5 e 1/10 do observado nas líderes globais. Infraestrutura de laboratórios, bolsas de permanência e suporte administrativo seguem deficitários.

Outro ponto cego: a concentração geográfica. Cinco das seis ficam no eixo Sudeste-Sul. Norte, Nordeste e Centro-Oeste não têm representantes no ranking principal — o que reforça assimetrias históricas de financiamento federal.

Cenários para 2028: o que observar daqui pra frente

Três variáveis definirão se a trajetória se sustenta ou estanca:

  • Execução do orçamento 2025 das federais — contingenciamentos anteriores cortaram verbas de custeio justamente quando a produção científica precisava de insumos.
  • Política de editais CAPES/CNPq para internacionalização — chamadas com exigência de coautoria estrangeira aceleram citações, mas precisam de previsibilidade plurianual.
  • Reforma do Ensino Superior em discussão no Congresso — se aprovada com métricas de qualidade atreladas a financiamento, pode criar incentivo estrutural; se focada apenas em regulação, efeito nulo.

O resultado de 2027 prova que a ciência brasileira consegue competir na métrica global. A pergunta agora é se o arcabouço institucional acompanhará o ritmo da produção acadêmica — ou se o topo do ranking continuará sendo um feito pontual, não uma nova normalidade.