A Yduqs e a Afya anunciaram uma combinação de negócios que projeta economia de R$ 2,2 bilhões e cria a maior operação de ensino médico do país, com receita anual estimada em R$ 9,4 bilhões. O acordo ainda depende do Cade e de assembleias de acionistas, mas a estrutura já está desenhada: acionistas da Afya ficam com 69% da nova empresa.
O número que salta aos olhos não é só o faturamento combinado. São 5.888 vagas anuais de medicina aprovadas pelo MEC — 3.768 vindas da Afya e 2.120 da Yduqs — espalhadas por todos os 26 estados brasileiros. Nenhum outro grupo chega perto dessa capilaridade.
De onde vem o bilhão em sinergias
O vice-presidente financeiro da Yduqs, Alexandre Aquino, explicou em teleconferência que a conta fecha com otimização de despesas, consolidação de sistemas de tecnologia e eliminação de duplicidades. “Não vou ter dois sistemas para atender os alunos”, resumiu. A estimativa foi feita por consultoria externa contratada especificamente para mapear as melhores práticas de cada lado.
Em termos práticos, a sinergia deve aparecer em:
- Infraestrutura de TI unificada (ERP, LMS, CRM)
- Compras corporativas com maior poder de barganha
- Racionalização de campi e polos sobrepostos
- Centralização de back-office e funções administrativas
O “overlap” mínimo que anima o Cade
Rossano Marques, CEO da Yduqs, disse confiar na aprovação antitruste. O argumento: baixíssima sobreposição geográfica e de portfólio. A Afya nasceu no Tocantins e tem força no Norte, Nordeste e Centro-Oeste; a Yduqs (dona da Estácio, Ibmec, Idomed, Wyden) domina Sudeste e Sul. Juntas, cobrem o mapa sem pisar nos pés uma da outra.
O prazo alvo para fechamento é 12 meses. As empresas têm 15 dias para protocolar o pedido no Cade. Assembleias gerais extraordinárias estão previstas para novembro, com edital em outubro.
Dividendos: R$ 750 milhões no bolso dos acionistas Yduqs
O contrato prevê distribuição de caixa entre assinatura e closing. Para a Yduqs, o piso é R$ 750 milhões. Marques evitou cravar datas: “Vamos deixar caminhar um pouco mais para termos visibilidade mais clara de geração de caixa”. A indicação é que o dividendo recorrente saia entre 1º e 2º trimestre de 2025, e o extraordinário da fusão, até setembro de 2027.
Raio-X das duas pontas
Afya (fundada 1999, marca atual desde 2019): 38 IES, 63 unidades, 14 estados, 32 campi de medicina, 26 mil alunos no curso, 212 mil médicos em apps (Whitebook, iClinic). Receita líquida de R$ 3,8 bi nos 12 meses até junho/2024. 9.395 funcionários.
Yduqs (origem 1970, holding 2007, nome atual 2019): 113 campi, ~2.500 polos EaD, 1,4 milhão de estudantes (830 mil na graduação), 19 campi de medicina, 11 mil alunos no curso. Receita líquida de R$ 5,6 bi no mesmo período. ~16 mil funcionários.
O que observar daqui para frente
Três gatilhos ditam o ritmo nos próximos meses: parecer do Cade sobre concentração no ensino médico, aprovação nas assembleias de novembro e execução do plano de integração de TI — historicamente o maior ponto de falha em fusões desse porte. Se a sinergia de R$ 2,2 bi se materializar no prazo, a nova empresa vira referência de escala no setor. Caso contrário, o mercado cobrará a conta no preço das ações.
