Nova pesquisa Quaest mostra Luciano Zucco (PL) com 29% e Juliana Brizola (PDT) com 23% na disputa pelo governo do Rio Grande do Sul, empate técnico dentro da margem de erro de três pontos. Mas o cenário de segundo turno revela uma dinâmica que pode mudar tudo nas próximas semanas. Um terço do eleitorado ainda admite trocar de voto até 4 de outubro.
O que os números mostram no primeiro turno
O levantamento, encomendado pelo Grupo RBS e realizado entre 20 e 23 de setembro com 900 eleitores, apresenta dois cenários — com e sem Cesar Pontes (PCO), cuja candidatura foi indeferida pelo TRE. Em ambos, a foto é idêntica para os dois líderes.
- Luciano Zucco (PL): 29% (subiu 3 pontos desde agosto)
- Juliana Brizola (PDT): 23% (estável)
- Gabriel Souza (MDB): 10% a 11%
- Outros: somam 5% ou menos
- Indecisos: 24% a 25%
- Branco/nulo: 8%
A estabilidade de Brizola contrasta com o crescimento de Zucco. Na pesquisa espontânea — sem lista de nomes —, o deputado federal saltou de 13% para 20%, enquanto a pedetista foi de 7% para 10%. Gabriel Souza aparece com 5%.
O fator “voto definitivo” e a janela de virada
Para 67% dos entrevistados, a escolha está fechada. Os 33% restantes — cerca de 1,5 milhão de gaúchos — dizem que podem mudar de ideia. É nessa fatia que a eleição será decidida, especialmente considerando que o nível de indecisos na espontânea ainda atinge 61%.
Mas o efeito mais relevante aparece quando a simulação vai para o segundo turno.
Segundo turno: Zucco larga na frente nos três cenários
A Quaest testou três confrontos diretos. Em todos, o candidato do PL chega à casa dos 40%, enquanto os adversários ficam na faixa dos 30% ou 20%. Veja a evolução desde agosto:
- Zucco vs. Brizola: 40% a 34% (era 33% a 36%)
- Zucco vs. Gabriel Souza: 42% a 26% (era 33% a 22%)
- Brizola vs. Gabriel Souza: 34% a 27% (era 32% a 24%)
Zucco cresceu sete pontos contra Brizola e nove contra Gabriel. A pedetista, por sua vez, oscilou dentro da margem de erro. O volume de brancos, nulos e indecisos permanece alto — entre 26% e 39% —, sinalizando que o eleitor ainda não “comprou” o confronto final.
Rejeição: o calcanhar de Aquiles que ninguém comenta
Aqui está o dado que explica muito do cenário futuro. A Quaest mede “conhece e não votaria de jeito nenhum”:
- Juliana Brizola: 35% de rejeição (maior índice)
- Luciano Zucco: 23% de rejeição
- Gabriel Souza: 20% de rejeição
Brizola tem o maior potencial de voto (36% “conhece e poderia votar”), mas também a maior barreira. Zucco tem potencial similar (37%) com rejeição 12 pontos menor. Gabriel Souza sofre com baixo reconhecimento: 59% não o conhecem.
O que move o eleitor gaúcho hoje
Quando questionados sobre o principal problema do estado, dois temas empatam tecnicamente no topo:
- Enchentes: 25%
- Saúde: 25%
- Economia: 10%
- Educação, Infraestrutura, Violência: 6% cada
A tragédia climática de maio ainda dita a agenda. Quem conseguir vincular sua imagem à reconstrução e à gestão de crise leva vantagem — o que favorece o Palácio Piratini, hoje ocupado pelo PSD de Eduardo Leite.
O peso da máquina: Leite aprova, mas não transfere
O governador tem 52% de aprovação contra 38% de desaprovação. A avaliação é majoritariamente “regular” (37%) ou “positiva” (36%). Porém, perguntados se Leite “merece eleger um sucessor”, 48% dizem que não — contra 42% que dizem que sim.
Gabriel Souza, vice-governador e candidato do MDB, carrega o ônus da continuidade sem o bônus da popularidade do titular. Seu potencial de voto (21%) é metade do de Zucco e Brizola.
O que observar daqui para 4 de outubro
Três variáveis definem os próximos 15 dias: a migração dos indecisos da espontânea para a estimulada, a capacidade de Brizola furar o teto de rejeição no debate de TV, e o impacto de eventuais apoios formais no segundo turno — especialmente se Gabriel Souza ficar de fora e seu eleitorado (26% a 27% nas simulações) migrar para um dos lados. O empate técnico no primeiro turno esconde uma assimetria clara: Zucco tem teto mais alto e chão mais firme. Mas, com um terço do eleitorado volátil, a única certeza é que nada está decidido.
