Justiça

Quaest no RS: Flávio Bolsonaro abre 4 pontos sobre Lula; o que explica a virada?

Gráfico da pesquisa Quaest RS 2026: Flávio Bolsonaro 35% e Lula 31% intenções de voto
Pesquisa Quaest no RS mostra Flávio Bolsonaro à frente de Lula por 4 pontos para 2026

Pesquisa Quaest divulgada nesta quinta-feira (24) coloca Flávio Bolsonaro (PL) com 35% das intenções de voto no Rio Grande do Sul contra 31% de Lula (PT) no cenário estimulado para 2026. A diferença de quatro pontos inverte a vantagem numérica que o petista mantinha em âmbito nacional e acende um alerta estratégico para as duas maiores forças políticas do país.

O levantamento, encomendado pelo Grupo RBS, ouviu 900 eleitores entre 20 e 23 de setembro. A margem de erro é de três pontos percentuais, o que coloca os dois pré-candidatos tecnicamente empatados dentro da incerteza estatística, mas a tendência de alta do senador e a estabilidade do presidente desenham um cenário de polarização cristalizada no estado.

O que move os números desde agosto

Na comparação com o levantamento anterior, Flávio oscilou de 34% para 35%, enquanto Lula subiu de 28% para 31%. O crescimento simultâneo sugere que a definição do eleitorado gaúcho ocorre às custas dos indecisos — que caíram de 18% para 16% — e dos votos brancos ou nulos, que recuaram de 10% para 8%.

O terceiro nome mais citado, o escritor Augusto Cury (Avante), aparece com 4%, dobrando os 2% de agosto. Ronaldo Caiado (PSD) mantém 3%. Juntos, os demais pré-candidatos somam menos de 5%, confirmando a disputa restrita a dois polos.

Alta rejeição ao governo federal pesa no Sul

O termômetro da aprovação da gestão Lula ajuda a ler o voto presidencial no estado. A desaprovação atinge 54%, ante 40% de aprovação. Em agosto, o cenário era 55% a 38%. A leve melhora na avaliação positiva não foi suficiente para reverter o humor majoritariamente crítico do eleitorado sulino, historicamente mais alinhado à centro-direita.

Esse descompasso entre a avaliação do governo e a intenção de voto no próprio presidente (31%) indica que uma fatia do eleitorado separa a figura do mandatário da gestão, mas não o suficiente para virar o jogo local.

Consolidação precoce ou margem para surpresa?

Um dado chama atenção para a solidez do quadro: 83% dos entrevistados afirmam que a escolha é definitiva. Apenas 17% admitem possibilidade de mudança até outubro de 2026. Em tese, isso reduz o espaço para campanhas de convencimento e aumenta o peso da mobilização de base e da máquina partidária.

  • Margem de erro: 3 p.p. (95% de confiança)
  • Amostra: 900 eleitores (16+)
  • Período: 20 a 23/09
  • Registro TSE: RS-01390/2026

O retorno de Leonardo Avalanche (PRTB) à lista, após a inelegibilidade de Pablo Marçal, e a presença de nomes nanicos como Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) completam a fotografia, mas sem impacto numérico relevante.

O que observar nos próximos capítulos

O Rio Grande do Sul costuma antecipar movimentos nacionais em eleições presidenciais. A consolidação de Flávio Bolsonaro como herdeiro político do pai no estado fortalece a tese de que o PL tentará nacionalizar a candidatura cedo. Do lado petista, a missão é reverter a desaprovação local sem perder a conexão com o eleitorado do Nordeste, onde Lula lidera com folga.

Para investidores e analistas de risco político, o sinal é claro: a polarização segue como variável central na precificação de ativos brasileiros até 2026. Qualquer oscilação fora da margem de erro nas próximas rodadas — especialmente se Lula furar o teto de 35% no Sul ou se Flávio estancar — deve ditar o ritmo do mercado nas próximas semanas.