Lula (PT) atinge 58% das intenções de voto na Bahia e crava uma vantagem de 35 pontos sobre Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno. O cenário de segundo turno, porém, revela um teto de rejeição que pode travar qualquer tentativa de virada.
O levantamento Quaest, divulgado nesta quinta-feira (24), mostra o petista subindo oito pontos desde agosto, enquanto o senador filho do ex-presidente avança seis. Mas é a solidez do eleitorado que chama a atenção: 85% já não mudam de opinião.
O cenário do primeiro turno: hegemonia petista consolidada
Na pesquisa estimulada, Lula aparece com 58%, contra 23% de Flávio Bolsonaro. O escritor Augusto Cury (Avante) marca 4%, e Ronaldo Caiado (PSD) cai para 2%. Os demais nomes não saíram do zero.
O movimento mais relevante não está nos líderes, mas na base: indecisos caíram pela metade (12% para 6%) e brancos/nulos recuaram de 8% para 5%. O eleitor baiano decidiu cedo.
- Lula (PT): 58% (era 50% em ago/24)
- Flávio Bolsonaro (PL): 23% (era 17%)
- Augusto Cury (Avante): 4% (estável)
- Ronaldo Caiado (PSD): 2% (era 4%)
- Indecisos: 6% (eram 12%)
O que o segundo turno esconde sobre o teto da oposição
Testado no mano a mano, Lula vai a 62% e Flávio Bolsonaro a 27%. A diferença se mantém na casa dos 35 pontos, mas o detalhe crítico é a incapacidade de transferência de votos dos nanicos para o candidato de oposição.
Mesmo somando os 4% de Cury, os 2% de Caiado e os 2% de Renan Santos, Flávio Bolsonaro não consegue furar a barreira dos 30%. O eleitor de centro-direita na Bahia parece órfão de alternativa competitiva.
Brancos e nulos no segundo turno ficam em 7%, sinalizando que uma fatia do eleitorado anti-Lula prefere anular a votar no nome do PL.
Aprovação do governo sobe e voto “definitivo” bate recorde
A avaliação positiva da gestão federal subiu de 59% para 65% em menos de um mês. A desaprovação caiu de 36% para 32%. Esse alinhamento entre aprovação do governo e intenção de voto no presidente cria uma blindagem difícil de ser rompida.
O dado mais estratégico para campanhas: 85% dos eleitores dizem que a escolha é definitiva. Em agosto, esse índice era 77%. A janela de persuasão fechou mais rápido que o previsto.
Metodologia e o que observar daqui para frente
A Quaest ouviu 900 eleitores entre 20 e 23 de setembro. Margem de erro de 3 pontos percentuais, nível de confiança de 95%. Registro no TSE: BA-01850/2026.
Para analistas de risco político e estrategistas, três variáveis merecem monitoramento contínuo: a migração dos 6% de indecisos (historicamente refratários ao PT), o comportamento do eleitorado evangélico frente ao nome Flávio Bolsonaro e o impacto de eventuais candidaturas de “terceira via” que ainda não apareceram no radar. A eleição na Bahia, hoje, tem cara de decidida — mas a política pune a certeza antecipada.
