O candidato à Presidência Augusto Cury (Avante) apresentou em Porto Velho uma estratégia que propõe transformar a Amazônia em um polo de produção de proteína animal, privatizar rodovias e expandir a telemedicina. Mas será que o modelo de pedágios paulista funciona na região Norte sem estrangular o frete?
A aposta na verticalização do agronegócio
Cury argumenta que a região não deve se limitar a exportar soja e milho em grão. A proposta é ampliar a suinicultura, a avicultura e a bovinocultura para converter esses insumos em carne, ovos e leite, agregando valor antes da exportação.
Para o empresário do setor, isso significa uma cadeia mais curta e margens potencialmente maiores, desde que a logística acompanhe o ritmo da produção.
A verticalização reduz a exposição à volatilidade das commodities e cria empregos industriais no próprio território.
Os pilares da verticalização incluem:
- Expansão da criação de suínos, aves e bovinos na própria Amazônia.
- Industrialização local de rações e processamento de proteína.
- Redução da dependência de portos distantes para escoamento de grãos brutos.
Rodovias privatizadas: o modelo paulista e o risco do pedágio
O candidato citou as rodovias concedidas em São Paulo como referência de eficiência e duplicação. No entanto, condicionou a privatização a pedágios que não asfixiem o transporte de cargas nem a indústria local.
O equilíbrio entre investimento privado e custo do frete será decisivo para a competitividade do agronegócio amazônico.
Se o pedágio subir acima da capacidade de pagamento do produtor, o ganho logístico se perde no custo final.
Estudos de caso no Sudeste mostram que contratos com tetos tarifários e gatilhos de reequilíbrio evitam surpresas no orçamento do transportador.
Saúde: salários, médicos e a promessa da telemedicina
Na saúde, Cury defendeu reajustes salariais para médicos e enfermeiros, além da ampliação do quadro de profissionais no SUS.
O destaque ficou por conta da telemedicina: a meta é oferecer consultas com especialistas em até trinta minutos, acessíveis de qualquer ponto — zona rural, periferia ou centro urbano.
A tecnologia, segundo ele, resolveria gargalos de atendimento noturno e em áreas remotas, onde a presença física de especialistas é escassa.
A integração de prontuários eletrônicos e a capacitação de agentes comunitários para triagem remota completam o desenho.
Segurança e juventude: o diagnóstico dos 6,7 milhões de “nem-nem”
O candidato apontou que 6,7 milhões de jovens brasileiros nem estudam nem trabalham, o que os torna alvos do crime organizado a partir dos 11 anos.
A resposta passa por inteligência estratégica, equipamento tecnológico para polícias Militar e Civil, e investimento massivo em educação e geração de emprego.
Sem essa integração, o risco é um “Estado desorganizado” diante de facções cada vez mais estruturadas.
Programas de aprendizagem profissionalizante e centros de convivência em áreas de vulnerabilidade são citados como barreiras concretas ao recrutamento precoce.
O que observar daqui para frente
Investidores e gestores devem monitorar três frentes: a viabilidade econômica da verticalização sem subsídios ocultos, a modelagem de concessões rodoviárias que proteja o frete agrícola e a implementação real da telemedicina em escala nacional. O sucesso ou fracasso dessas propostas ditará o ritmo de novos aportes na região amazônica nos próximos anos.
