A deputada federal Júlia Zanatta (PL-SC), recordista de votos em Santa Catarina com 560 mil eleitores, declarou publicamente que não apoiará a reeleição de Hugo Motta (Republicanos-PB) à presidência da Câmara em fevereiro. A posição expõe uma fratura interna no Partido Liberal às vésperas de uma definição estratégica para o Legislativo.
O anúncio coloca em xeque a articulação do comando nacional da legenda, que cogita respaldar Motta para preservar espaços em comissões. Para o setor produtivo, a disputa sinaliza instabilidade na pauta legislativa — ponto sensível para quem depende de previsibilidade regulatória.
O rompimento e os números por trás dele
Zanatta não usou meias palavras. Em publicação na rede social X, afirmou não ter “motivo algum” para votar no atual presidente da Câmara e defendeu que o PL lance candidato próprio para “pelo menos bagunçar o jogo”. A parlamentar cobrou o cumprimento de um compromisso básico: previsibilidade na convocação de sessões e na tramitação de matérias.
O peso eleitoral da catarinense não é marginal. Seus 560 mil votos representam a maior votação nominal da história do estado para o cargo. Esse capital político credencia a deputada a exigir consulta prévia ao diretório nacional, presidido por Valdemar Costa Neto, antes de qualquer decisão fechada.
Impacto direto: por que o empresariado deve acompanhar
A presidência da Câmara controla a agenda de votações, a instalação de comissões especiais e o ritmo de apreciação de medidas provisórias. Sem previsibilidade, projetos de interesse econômico — reforma tributária regulamentada, marco legal de setores regulados, pautas de infraestrutura — ficam reféns de negociações de bastidor.
Além disso, a composição da Mesa Diretora define a distribuição de relatorias estratégicas. Um racha no maior partido da base de oposição pode redistribuir poder para legendas de centro, alterando o equilíbrio de forças em temas sensíveis ao ambiente de negócios.
O xadrez interno do PL e a reunião decisiva de terça-feira
Valdemar Costa Neto convocou a bancada para esta terça-feira. O dilema é claro: apoiar Motta e manter influência nas comissões, ou lançar nome próprio e arriscar isolamento institucional. A deputada catarinense apela para que o presidente do partido ouça os parlamentares antes de fechar posição.
No Senado, o cenário espelha a tensão. O PL tende a lançar Rogério Marinho (PL-RN) contra Davi Alcolumbre (União-AP), atual presidente. Duas frentes de confronto simultâneas ampliam o risco de fragmentação da oposição organizada.
Principais atores e datas para monitorar
- Terça-feira (reunião da bancada do PL): definição do apoio a Hugo Motta ou lançamento de candidatura própria.
- Fevereiro de 2027: eleição para a Mesa Diretora da Câmara (mandato de dois anos).
- Júlia Zanatta (PL-SC): 560 mil votos — maior votação nominal da história de SC.
- Valdemar Costa Neto: presidente nacional do PL, articulador-chefe da decisão.
- Hugo Motta (Republicanos-PB): atual presidente, busca reeleição com apoio transversal.
Cenários em aberto e o que observar daqui para frente
Se o PL fechar com Motta, Zanatta e eventuais dissidentes podem votar em bloco próprio ou migrar para outro nome — o que enfraqueceria a coesão partidária. Se a legenda lançar candidato, a viabilidade eleitoral dependerá de alianças com PP, União Brasil e Republicanos dissidentes.
Para quem acompanha o ambiente regulatório, o sinal de alerta está ligado: a previsibilidade da pauta legislativa, promessa não cumprida na gestão atual segundo a deputada, segue como variável incerta. Acompanhar a reunião de terça e as movimentações de bloco até fevereiro será essencial para antecipar janelas de oportunidade — ou de travamento — no Congresso.
