O dólar comercial fechou esta terça-feira (3) cotado a R$ 5,486, alta de 0,74%, enquanto o Ibovespa afundou 1,42% aos 165.528 pontos — a sexta queda seguida desde a reeleição. A tensão fiscal e a reunião do Copom amanhã ditam o ritmo.
Durante o pregão, a moeda americana chegou a R$ 5,509. Já a bolsa tocou os 164.446 pontos, menor nível desde janeiro. O investidor que ignorar os sinais de agora pode pagar caro nas próximas semanas.
Os números que assustam o mercado
Não é apenas ruído. Os dados consolidam um movimento de fuga de risco que começou em 25 de outubro. Veja o retrato do dia:
- Dólar comercial: R$ 5,486 (+0,74%); máxima intradiária em R$ 5,509.
- Ibovespa: 165.528,92 pontos (-1,42%); sexta sessão consecutiva de perdas.
- Índice DXY: 101,850 pontos (+0,13%), mostrando dólar forte lá fora também.
A combinação de câmbio pressionado e bolsa em derrocada reduz o poder de compra das empresas e encarece dívidas em moeda forte. Quem tem exposição cambial sem proteção sente o impacto no caixa imediato.
Por que o fiscal voltou ao centro do debate
A incerteza sobre as contas públicas é o combustível principal. Propostas atribuídas ao economista André Lara Resende — sugerindo mudanças no regime monetário — circularam com força nos bastidores, elevando o prêmio de risco.
Pela manhã, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi a público classificar as ideias como “deficientes” e fora da pauta do governo. A defesa de um ajuste gradual, no entanto, não convenceu quem precifica um cenário de descontrole nas despesas obrigatórias.
Mas o efeito mais relevante aparece na curva de juros futuros.
O recado do Boletim Focus para o Copom
Divulgado hoje, o relatório de expectativas do Banco Central trouxe projeções que limitam a margem de manobra da autoridade monetária:
- Inflação 2027 subiu de 4,34% para 4,76% — acima do teto da meta (4,5%).
- Selic fim de 2025 avançou de 11,75% para 12,50%.
Com a taxa básica hoje em 13,75%, o mercado já embute a possibilidade de manutenção dos juros por mais tempo. A comunicação de amanhã será decisiva: qualquer sinal de flexibilização prematura pode disparar nova perna de alta no dólar.
Cenário externo amplifica a pressão
Não é só problema nosso. As eleições legislativas de meio de mandato nos EUA injetam volatilidade global. O fortalecimento do DXY retira liquidez de emergentes, e o petróleo em ajuste pós-feriado pesou sobre Petrobras e Vale — as duas maiores pesos do Ibovespa.
Enquanto big techs americanas ensaiavam recuperação, o Brasil seguiu desconectado do otimismo externo. O risco-país subiu, e o spread dos CDS (Credit Default Swaps) de 5 anos voltou a rondar níveis de alerta.
O que observar daqui para frente
A decisão do Copom amanhã (4) é o gatilho imediato. Acompanhe três variáveis: a votação (unânime ou dividida), o tom do comunicado sobre “serenidade” versus “vigilância” e a projeção de inflação do próprio BC para 2025/2026.
No fiscal, o teste será a tramitação das medidas de arrecadação no Congresso nas próximas duas semanas. Se o governo perder votos-chave, o dólar testa R$ 5,60 rápido. Para o gestor, a lição prática: mantenha hedge cambial ativo e posicione a renda fixa para juros altos por período prolongado. A janela de alívio fechou.
