Economia

Gerdau paga 3,5 salários extras e garante plano de saúde: o que muda para 278 demitidos

Trabalhadores da Gerdau em Divinópolis após anúncio de demissões e acordo indenizatório
Acordo garante 3,5 salários extras e plano de saúde por 6 meses a 278 demitidos da siderúrgica.

A Gerdau fechou acordo para pagar 3,5 salários mínimos adicionais a cada um dos 278 trabalhadores demitidos da unidade de Divinópolis, além das verbas rescisórias legais. O pacote inclui ainda manutenção do plano de saúde por seis meses e indenizações escalonadas por tempo de casa. Mas a negociação deixou uma porta aberta: quem quiser pode tentar vaga em outra fábrica.

O anúncio do fim da produção de aço na cidade pegou a região de surpresa. A siderúrgica alega perda de competitividade frente a concorrentes internacionais. O que não foi dito na coletiva: quais critérios definirão quem será realocado e quem ficará com o pacote de saída?

O que o pacote prevê na prática

Além dos 3,5 salários mínimos extras — valor que se soma a férias, 13º e FGTS —, a empresa criou faixas de indenização no Programa de Demissão Voluntária (PDV). Quem tem até 14 anos e 11 meses de vínculo recebe seis salários nominais a mais. Entre 15 e 19 anos, sobe para sete. A partir de 20 anos, oito salários. A progressão repete a cada quinquênio.

A manutenção do convênio médico por seis meses, custeada integralmente pela Gerdau, vale para todos os desligados. Trabalhadores a um ano da aposentadoria têm o período protegido, evitando prejuízo na contagem previdenciária. As homologações ficarão a cargo do sindicato.

A alternativa da transferência para Ouro Branco

Parte do quadro poderá ser realocada na unidade de Ouro Branco, na região Central de Minas. Quem aceitar tem 120 dias para avaliar a adaptação. Se não der certo, o funcionário comunica a decisão e recebe o mesmo pacote negociado para quem fica em Divinópolis. A cláusula foi desenhada para reduzir o risco de uma mudança que não funcione.

  • 278 postos de trabalho encerrados na produção de aço
  • 180 funcionários mantidos no setor de laminação
  • 6 meses de plano de saúde pago pela empresa
  • 120 dias de teste para quem for transferido

O que fica em Divinópolis

A laminação continua operando com cerca de 180 trabalhadores. O Ministério do Trabalho vê a manutenção como sinal de que a empresa pode, no futuro, recuperar competitividade e voltar a contratar. A expectativa oficial é de ampliação gradual, mas não há cronograma nem garantias.

O sindicato dos Metalúrgicos levou a proposta para assembleia. A prioridade da entidade era a manutenção dos empregos, mas a direção da Gerdau foi taxativa: a redução é irreversível no curto prazo. O advogado Gilson de Sousa Mesquita alerta que o impacto extrapola os portões da fábrica — fornecedores e prestadores de serviço também sentirão a contração.

O que observar daqui para frente

A assembleia dos trabalhadores definirá se o acordo é aprovado. Caso seja rejeitado, a negociação volta à estaca zero. Para quem acompanha o setor, dois movimentos merecem atenção: a capacidade da laminação remanescente de sustentar a unidade sem a produção de aço própria e a disposição da Gerdau em investir em modernização, como defende o sindicato, para enfrentar a concorrência externa. O desfecho em Divinópolis pode servir de termômetro para outras reestruturações no setor siderúrgico mineiro.