Economia

Imposto Seletivo: MP vai ao Congresso hoje, mas há um “detalhe” de R$ 3,5 bi

Ilustração sobre MP do Imposto Seletivo no Congresso com impacto de R$ 3,5 bi no orçamento 2027
Governo envia MP do Imposto Seletivo, mas noventena adia cobrança para fevereiro criando rombo bilionário.

O governo deve encaminhar ainda nesta terça-feira (3) a medida provisória que cria o Imposto Seletivo, mas a cobrança não começa em janeiro. A noventena empurrou a estreia para fevereiro, abrindo um buraco bilionário no orçamento de 2027.

Para tapar esse vazio, a equipe econômica costurou um acordo que ressuscita o IPI por apenas 30 dias. Entenda como essa engenharia tributária afeta o caixa federal e o seu negócio.

O atraso que custa caro

A regra da noventena é implacável: para valer em 1º de janeiro, a lei precisava estar publicada até outubro. Como o texto só sai agora, a entrada em vigor desloca-se para o segundo mês do ano.

Parece um detalhe burocrático, mas o impacto é de R$ 3,5 bilhões a menos no primeiro mês. Na proposta orçamentária de 2027, a previsão totalizava R$ 41,9 bilhões anuais com o novo tributo.

A “ponte” do IPI: como funciona o remendo

Como o IPI será zerado para quase todos os produtos a partir de 2027 — exceto para proteger a Zona Franca de Manaus —, o governo não podia simplesmente cobrá-lo de novo. A saída foi negociar uma extensão pontual.

Segundo o ministro Dario Durigan, os setores impactados aceitaram manter a carga do IPI vigente exclusivamente durante janeiro. A partir de fevereiro, o Imposto Seletivo assume o posto.

Essa solução evita uma queda brusca de arrecadação e dá previsibilidade ao fluxo de caixa da União no início do exercício.

Quem entra na mira do novo imposto

A base de incidência foca em bens e serviços com externalidades negativas — saúde, meio ambiente ou concentração de renda. Confira a lista definitiva:

  • Automóveis de passageiros e utilitários leves (até 5 toneladas), incluindo híbridos e elétricos;
  • Veículos aéreos tripulados;
  • Embarcações motorizadas;
  • Charutos, cigarrilhas, cigarros e demais produtos de tabaco ou nicotina;
  • Bebidas alcoólicas e açucaradas;
  • Bens minerais;
  • Concursos de prognósticos e fantasy sport.

O que observar daqui para frente

A aprovação da MP no Congresso será o próximo teste de fogo. O texto tem força de lei imediata, mas precisa ser confirmado em até 120 dias para não caducar.

Empresários dos setores listados devem revisar precificação e planejamento tributário já para fevereiro. A transição do IPI para o Seletivo em janeiro exige atenção nos sistemas de emissão de nota fiscal e apuração de créditos.

Fique atento também à regulamentação das alíquotas por produto: a MP define a estrutura, mas os percentuais finais virão em atos infralegais, o que ainda pode alterar a competitividade relativa entre categorias.