Economia

Botijão dispara R$ 15 na Bahia: o maior salto desde 2021…

Botijão de gás GLP 13kg com etiqueta de preço alto simbolizando aumento de 17,5% na Bahia
Preço do botijão de 13 kg deve subir R$ 12 a R$ 15 nas próximas semanas na Bahia.

O gás de cozinha (GLP) subiu 17,5% nas distribuidoras baianas desde 1º de novembro, o reajuste mais agressivo desde que a Acelen assumiu a Refinaria de Mataripe. Para o consumidor, a conta chega mais cara: espere pagar entre R$ 12 e R$ 15 a mais por botijão de 13 kg nas próximas semanas.

Esse é o sétimo movimento de alta apenas em 2024, mas nenhum anterior se aproxima desta magnitude. A pergunta que fica: até onde o repasse vai chegar no varejo antes de estabilizar?

O choque direto na planilha de custos

A Acelen confirmou que o preço da tonelada do GLP saltou de R$ 3.971,60 para R$ 4.664,90. Na ponta da revenda, a margem de absorção acabou. Diferente de maio, quando os revendedores seguraram parte da alta, o tamanho do reajuste atual torna o repasse integral quase inevitável.

Para famílias de baixa renda e pequenos comércios — padarias, lanchonetes, food trucks —, o impacto é imediato no fluxo de caixa. Não há estoque que amorteça um salto de dois dígitos percentuais em 30 dias.

Montanha-russa de 2024: o histórico que explica a volatilidade

O ano não foi linear. Veja a oscilação acumulada até outubro:

  • Jan: +2,38%
  • Fev: -4,19%
  • Mar: Estável
  • Abr: +15,2%
  • Mai: +4,3% (absorvido pela revenda)
  • Jun: +9,59%
  • Jul: -6,8%
  • Ago: -7,1%
  • Out: ~+9%
  • Nov: +17,5% (recorde do período)

O padrão revela uma correlação direta com o câmbio e o Brent, mas a amplitude do último movimento sugere pressão adicional nos custos logísticos ou de aquisição de matéria-prima que a refinaria não detalhou.

Por que a Acelen mexeu tanto agora?

Em nota, a empresa reiterou sua política de paridade de importação (PPI): petróleo internacional, dólar e frete. Analistas de mercado apontam que a combinação de real desvalorizado frente ao dólar nas últimas semanas e a manutenção do barril acima de US$ 70 criaram a “tempestade perfeita” para o reajuste máximo.

Mas há um detalhe operacional: a Refinaria de Mataripe é a única fonte relevante de GLP para o Nordeste. Sem concorrência regional direta, o repasse da paridade internacional chega sem filtro ao distribuidor local.

O que observar daqui para frente

Três variáveis ditam o próximo capítulo:

  1. Câmbio: se o dólar recuar para casa dos R$ 5,50, há espaço para queda em dezembro.
  2. Estoque dos revendedores: quem comprou antes do dia 1º tem fôlego de 10 a 15 dias para manter o preço velho — vantagem competitiva temporária.
  3. Demanda sazonal: festas de fim de ano puxam consumo para cima, o que costuma travar quedas mesmo se a matéria-prima ceder.

Para o empresário do setor de alimentação ou logística, a recomendação prática é travar contratos de fornecimento agora, se possível, ou repassar ao menos 60% do aumento ao cardápio ainda em novembro. Esperar janeiro pode significar absorver uma segunda alta consecutiva.