Economia

O segredo do trilhão: quais 10 gigantes mandam no agro brasileiro

Infográfico das 10 maiores empresas do agronegócio brasileiro com faturamento de R$ 1,24 trilhão em 2025
As 10 gigantes do agro faturaram R$ 1,24 trilhão em 2025, segundo ranking Agro100 da Forbes Brasil.

As dez maiores empresas do agronegócio nacional faturaram juntas R$ 1,24 trilhão em 2025, alta de dois dígitos que redefine o peso do setor na economia. O número impressiona, mas esconde uma concentração de poder que poucos investidores dimensionam.

A lista, divulgada no levantamento Agro100 da Forbes Brasil, revela que a receita combinada das 100 maiores companhias saltou para R$ 2,1 trilhões — crescimento de 13,45% frente ao ano anterior. O dado sinaliza que o ciclo de expansão não se limita às líderes.

A máquina de carne que puxa a fila

No topo, a JBS mantém distância confortável: R$ 480,58 bilhões de receita líquida. Sozinha, a processadora de carnes responde por quase 39% do faturamento do grupo das dez. Na vice-liderança, a MBRF aparece com R$ 163,96 bilhões, seguida pela Cargill Alimentos, com R$ 115,29 bilhões.

O domínio do setor de proteína animal não é coincidência. Frigoríficos e processadores de carne cresceram 16,37% no período, segundo melhor desempenho entre os sete segmentos monitorados. A demanda externa aquecida e a gestão de custos em reais explicam parte do resultado.

Traders de grãos: o motor oculto da expansão

Se a carne brilha no topo, o comércio de grãos foi o verdadeiro acelerador. O segmento de tradings e comercializadoras agrícolas disparou 23,51% — a maior taxa entre todas as categorias. Essas empresas compram soja e milho do produtor brasileiro e vendem ao mundo, capturando margens em dólar.

O movimento reflete a safra recorde de 2024/25 e a valorização cambial no fechamento do exercício. Para o investidor, a lição é clara: a exposição à commodities dolarizadas segue como hedge natural em cenários de incerteza fiscal.

Onde o crescimento desacelerou

Nem todos surfaram a onda. A indústria de celulose foi o único segmento que não superou a inflação. O preço da tonelada chegou a cair abaixo de US$ 500 no início do ano, comprimindo margens de players como a Suzano, décima colocada no ranking geral.

Outros setores mostraram fôlego moderado: agroenergia avançou 13,37% com etanol e biocombustíveis, enquanto alimentos e bebidas cresceram 7,2% — acima do IPCA, mas abaixo da média do agro.

Resumo do ranking das 10 maiores (receita 2025)

  • JBS: R$ 480,58 bi
  • MBRF: R$ 163,96 bi
  • Cargill Alimentos: R$ 115,29 bi
  • Demais posições (4º a 10º): completam o grupo do trilhão

O que observar daqui para frente

Dois vetores devem ditar o ritmo de 2026: a trajetória do dólar frente ao real e a safra de grãos em desenvolvimento. Empresas com receita atrelada à exportação tendem a manter vantagem se o câmbio permanecer pressionado. Já a celulose depende de recuperação de preços na Ásia — monitorar os estoques na China virou obrigação para quem aloca no setor.

Outro ponto de atenção: a concentração. As dez primeiras já representam fatia expressiva do bolo total. Movimentos de M&A ou mudanças regulatórias em mercados-chave (EUA, UE, China) podem redistribuir as cartas mais rápido do que o crescimento orgânico permite.