As ações de tecnologia afundaram em Nova York nesta sexta-feira, com a Intel liderando o massacre ao fechar em queda de 28,58%. A Amazon também frustrou ao reduzir perdas para 1,47% após lucro decepcionante. Mas o que isso sinaliza para quem tem dinheiro exposto ao setor?
O gatilho imediato: projeções furadas e lucros mornos
A fabricante de chips abriu o pregão em queda livre de 31% depois de divulgar receita prevista abaixo do consenso. A demanda fraca por processadores de PC e gargalos na cadeia de data centers — seu segmento mais rentável — assustaram o mercado. Horas depois, a Amazon reportou lucro trimestral aquém das expectativas, confirmando o mau humor.
O tombo da véspera já havia dado o recado: o Google (Alphabet) perdeu US$ 482 bilhões em valor de mercado ao cair 13%. O medo central é que a inteligência artificial generativa canibalize a receita de anúncios em buscas, o motor de caixa da empresa.
O contágio na infraestrutura de IA
O pessimismo não poupou quem vende as “pás e picaretas” da corrida armamentista de IA. As quedas fecharam assim:
- AMD: -10,88%
- Super Micro Computer: -6,48%
- Nvidia: -4,19%
Mesmo a líder em GPUs não escapou da revisão de expectativas. O sinal é claro: o mercado passa a cobrar retorno tangível sobre os bilhões investidos em capacidade de computação.
A pergunta de um trilhão de dólares: onde está o retorno?
Para Jai Malhi, estrategista da Vanda Research, os investidores passaram a “fiscalizar rigorosamente” os gastos em IA. Com custo de capital mais alto, o crescimento da receita precisa superar expectativas já elevadas — caso contrário, a punição na Bolsa é imediata.
O cenário muda a narrativa dos últimos trimestres, quando a simples menção a “estratégia de IA” bastava para sustentar múltiplos esticados. Agora, a lupa está sobre a conversão de capex em fluxo de caixa.
Fora do radar tech: Bitcoin e petróleo amplificam a aversão a risco
O recuo de 5,09% no Bitcoin, para a mínima em seis semanas, veio após a Binance travar saques e depósitos para investigar possível ataque hacker. No petróleo, o Brent subiu 1,37% a US$ 112,32 com temores de ação militar dos EUA contra o Irã — mais um vetor de incerteza macroeconômica.
O que observar daqui para frente
A temporada de balanços segue como principal catalisador. Fique atento a: (1) guidance de capex para IA nas próximas conferências; (2) sinais de recuperação no ciclo de PC e servidores; (3) postura do Fed sobre juros, que define o custo de financiar essa expansão. Se a receita não acelerar no mesmo ritmo do investimento, a correção de sexta-feira pode ser apenas o primeiro ato.
