As ações da Usiminas (USIM5) fecharam a sexta-feira (30) em queda livre de 8,59%, cotadas a R$ 5,00, protagonizando a maior perda do Ibovespa no dia. O gatilho foi um terceiro trimestre de 2026 (3T26) que frustrou até as estimativas mais conservadoras do mercado.
O resultado expôs uma equação perigosa: volume maior de vendas, mas margens comprimidas por uma inflação de custos que não dá trégua. A dúvida que fica é se o pior já passou ou se o quarto trimestre reserva novas surpresas negativas.
O aço que não brilhou
A divisão siderúrgica foi o epicentro da decepção. O EBITDA do segmento somou R$ 538 milhões, recuo de 21,8% na comparação trimestral e 18% abaixo do projetado pelo JPMorgan. O volume até cresceu, mas o custo por tonelada (CPV/t) subiu, engolindo todo o ganho de alavancagem operacional.
Segundo a XP Investimentos, os números vieram “fracos” até frente à guidance já cautelosa da própria administração. O Bradesco BBI aponta que os preços realizados caíram mesmo com o efeito residual de reajustes do trimestre anterior e mix mais favorável — sinal claro de que a companhia precisou conceder descontos para escoar a produção.
Três pilares pressionaram a conta, segundo a própria Usiminas:
- Placas de aço e coque mais caros;
- Desvalorização do real frente ao dólar;
- Custo energia em alta.
Mineração: volume some, frete aperta
Do lado da mineração, o EBITDA foi de apenas R$ 19 milhões — praticamente nulo, como previa o JPMorgan. A combinação foi cruel: preços realizados caíram 7,3%, volumes despencaram 18,4% e o custo de frete marítimo subiu. O resultado operacional do segmento mal cobriu os custos fixos.
Mas o efeito mais relevante aparece nas projeções para o fim do ano.
O que esperar do 4T26 e de 2027
A XP manteve postura cautelosa: juros altos e demanda doméstica fraca devem manter preços e volumes de aço sob pressão. No minério, a commodity fraca e o frete caro seguem como obstáculos.
O Morgan Stanley vai além: a guidance da empresa para o 4T26 deve forçar revisões para baixo nas estimativas dos analistas. No aço, a expectativa é de queda moderada do resultado operacional. Exportações compensam a sazonalidade doméstica ruim, mas o mix pior reduz a receita por tonelada. Custos seguem pressionados por matérias-primas e energia.
Na mineração, a projeção é de volumes menores de venda, ditados pelos preços atuais do minério e pelas taxas de frete.
A divergência nos preços-alvo
Enquanto a leitura fundamentalista é majoritariamente neutra, os preços-alvo revelam visões distintas sobre o ponto de entrada:
- Bradesco BBI: Neutro | Preço-alvo R$ 8,50
- Itaú BBA: Neutro | Preço-alvo R$ 8,00
- Morgan Stanley: Neutro | Preço-alvo R$ 8,80
- JPMorgan: Compra | Preço-alvo R$ 10,50
O JPMorgan é a voz solitária de otimismo, vendo assimetria de risco-retorno nos níveis atuais. Os demais preferem esperar a poeira baixar sobre custos e demanda.
O radar para os próximos pregões
Três variáveis vão ditar o ritmo da ação nas próximas semanas: a trajetória do dólar (impacto direto no custo de placas e coque), a evolução do preço do minério de ferro no mercado internacional e a capacidade da Usiminas de repassar custos sem perder volume no mercado doméstico. Se a guidance do 4T26 se confirmar, novas revisões de lucro devem manter o papel sob pressão no curto prazo.
